Leia texto de Ana Maria Machado

Não estou propondo nem sugerindo que crianças e jovens se ponham a ler filosofia, tragédias teatrais em sua forma original, poesia metafísica. Nessas áreas e em várias outras, há obras maravilhosas, imprescindíveis, enriquecedoras do espírito humano. Mas não estão ao alcance da compreensão imatura da garotada. O que interessa mesmo a esses jovens leitores que se aproximam da grande tradição literária é ficar conhecendo as histórias empolgantes de que somos feitos. (...)Também não é necessário que essa primeira leitura seja um mergulho nos textos originais. Talvez seja até desejável que não o seja, dependendo da idade e da maturidade do leitor. Mas creio que o que se deve procurar propiciar é a oportunidade de um primeiro encontro. Na esperança de que possa ser sedutor, atraente, tentador. E que possa redundar na construção de uma lembrança (mesmo vaga) que fique por toda a vida. Mais ainda: na torcida para que, dessa forma, possa equivaler a um convite para a posterior exploração de um território muito rico, já então na fase das leituras por conta própria.De qualquer modo, se ou quando, eventualmente, um pequeno leitor de excepcional precocidade se sentir atraído por uma versão original ou difícil e resolver visitá-la, não faz mal algum. Mesmo compreendendo apenas o pouco que conseguir alcançar dessa leitura. Não é preciso proibir a ninguém essa exploração de um território cheio de desafios e obstáculos. Apenas não se espera que ela faça parte do cardápio a lhe ser oferecido e sugerido.Quase como conseqüência dessas observações, convém ainda acentuar que a infância é uma fase extremamente lúdica da vida e que, nesse momento da existência humana, a gente faz a festa é com uma boa história bem contada. (Trecho de Como e Por Que Ler os Clássicos Universais desde Cedo)

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