Leia a íntegra da carta da Secretaria

"Carta de Edson Salvo Melo, secretário de Cultura de Santo André, é dirigida à comunidade da Escola Livre de Teatro

17 de setembro de 2009 | 16h57

 

À comunidade da Escola Livre de Teatro

 

A atual administração da Prefeitura de Santo André NUNCA teve a intenção de fechar a Escola Livre de Teatro, e desde o primeiro dia de trabalho manteve todos os investimentos para preservar o projeto dinâmico responsável por tornar nossa escola como um dos mais importantes laboratórios para o teatro paulista, em total sintonia com a carta assinada pela Comunidade ELT.

 

A responsabilidade do governo instituído, legitimada pelo processo democrático eleitoral, é a de conduzir as políticas públicas municipais nas mais diversas áreas e realizar a administração do município. Esta é uma prerrogativa necessária ao bom andamento dos programas e projetos propostos, cuja ferramenta compreende a livre escolha de nomes para a realização destes trabalhos.

 

Estamos preservando todo o processo pedagógico e artístico elaborado no decorrer das décadas de existência da Escola Livre de Teatro de Santo André, ressaltando que uma escola livre não pode estar subordinada a um modelo pedagógico específico, porque isto já pressupõe o seu enrijecimento. O processo artístico da criação deve ser livre para todas as abordagens pedagógicas: humanista, construtivista, tradicionalista, tecnicista, inclusive a democrática. A Escola Livre de Teatro nasceu como núcleo de pesquisa, sob o olhar apurado de Maria Thaís, recebendo pessoas que estavam em processo acadêmico e se mostraram grandes pesquisadores da arte cênica, dando origem à intensidade criativa da Escola e hoje estão consagrados na cena teatral brasileira. Isto SERÁ mantido.

 

Ao assumir a Prefeitura de Santo André investimos R$ 360 mil na Escola Livre de Teatro para contratação de professores, além de enviarmos 4 funcionários ao Teatro Conchita de Moraes para complementar as funções de manutenção e utilização do equipamento parados, apoiamos as produções oriundas da Escola Livre com divulgação própria e ainda realizamos, de forma pioneira, um Encontro de Artes Cênicas, chamado de ENCASA, aportado pelo Fundo Municipal de Cultura, que reuniu diversas companhias andreenses (muitas formadas por ex-alunos da ELT).

 

Entendemos que determinadas posturas podem ser revistas, desde que pautadas sempre no mecanismo que mais é prezado pela Comunidade ELT em sua carta: o diálogo. Atendemos e atenderemos à Comunidade ELT em sua reivindicação principal: a manutenção do projeto e da Escola Livre de Teatro, não abrindo mão, contudo, da prerrogativa administrativa e legal de indicarmos sua coordenação.

 

Em relação à carta enviada pela Comunidade ELT, responderemos todos os itens

 

1 - Eliana Gonçalves é uma profissional com carreira dedicada à pedagogia do ensino e às artes cênicas. Tem 35 anos de carreira artística e 28 de magistério, tendo recebido seu primeiro prêmio de direção teatral aos 17 anos. Conhecer o processo criativo que a ELT adota, contudo, é um caminho diário que deve ser trilhado para o profissional artista que pretende atuar dentro da Escola. Por isso, concordamos com a comunidade que este conhecimento deve ser aprofundado e trabalhado para um melhor entrosamento e afinamento entre os alunos, a coordenação e os professores.

 

2 - Vamos estipular um comando tríplice dentro da Escola, que pressuponha a inserção de um funcionário de carreira que guardasse o histórico do equipamento e as definições burocráticas, o coordenador administrativo e o supervisor pedagógico responsável pela manutenção do projeto.

 

3 - Em complemento ao item anterior, estipulamos que as assembleias e demais momentos decisórios, juntamente com os alunos e professores devam contar com a presença da coordenação para que decisões tomadas não atrapalhem o processo criativo pedagógico. Determinadas posições, principalmente em relação ao espaço físico, podem e serão reavaliadas em conjunto com os demais membros da comunidade ELT.

 

4 - Apesar de alegar falta de resposta ao diálogo, a própria carta da Comunidade ELT afirma claramente que esta secretaria nunca se furtou ao diálogo. A posição da coordenação deve ser espelho do que foi tratado pela secretaria e será monitorada para que isso aconteça.

 

5 - As especificidades do trabalho de pesquisa e do processo criativo serão respeitadas, e os casos em que as designações administrativas estiverem em desacordo com as necessidades prementes deverão ser discutidos baseados no bom senso e no consenso.

 

6 - Nunca existiu, por parte do governo, a intenção de se desmembrar física e administrativamente o teatro que serve de sede para a Escola Livre de Teatro e a Escola. Existia o desejo de que o Conchita de Moraes fosse mais aberto à comunidade, mas de forma a contemplar trabalhos que dissessem respeito ao universo que cerca a ELT. Esse equívoco na comunicação já foi amplamente debatido pelo secretário em todos os encontros com os aprendizes, tanto que possivelmente no decreto que organizará a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer passe a constar a palavra escola no nome do teatro Conchita de Moraes.

 

7 - O processo de contratação dos professores ocorre por notória especialização a fim de que se tenham no quadro artistas renomados que possam transmitir seus conhecimentos práticos aos aprendizes. Dentro do quadro temos vários profissionais graduados, mas a essência do processo é justamente permitir que a graduação não seja fato impeditivo à contratação. Este é outro ruído que também já foi amplamente debatido e esclarecido.

 

8 - A grade de horários dos cursos é formada em conjunto com os aprendizes, professores e coordenação. O processo deve ser mantido para que a essência do projeto permaneça. É outro item que não será alterado, como também foi explicado à Comissão.

 

9 - Realizamos a criação, na última organização administrativa, de funções gratificadas para organizar os equipamentos e espaços culturais, valorizando o funcionário de carreira. Contemplamos funcionários de carreira para a Escola Livre de Teatro e o Teatro Carlos Gomes que nunca tiveram nenhuma gratificação salarial para trabalharem nestes equipamentos de cultura.

 

10 - Não pretendemos adequar a Escola Livre de Teatro a nenhum padrão inapropriado. A Escola é livre em seu nome e sua essência e por isso mesmo, conforme falamos acima, não deve estar subordinada a padrões que cerceiem a liberdade criativa e artística.

 

Atenciosamente,

 

Edson Salvo Melo,

 

Secretário de Cultura, Esporte e Lazer da Prefeitura de Santo André"

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