Lee Thalor

REVELADO POR ANTUNES FILHO QUANDO TINHA 21 ANOS, O ATOR QUE SE NOTABILIZOU POR FAZER PAPÉIS MAIS VELHOS SEGUE EM CARTAZ COM POLICARPO QUARESMA

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

As pessoas falam que você tem um perfil, um tipo de rosto que te permite fazer personagens de qualquer idade. Você acha que é isso mesmo?

Isso não existe. Em Senhora dos Afogados cheguei a pedir várias vezes para o Antunes (Filho, diretor do CPT) para sair. Dizia para ele que a minha carreira que havia começado com o Pedra do Reino iria acabar naquela montagem de Senhora dos Afogados. Mas há quem diga que tenho mesmo uma alma de velho e talvez isso ajude. Sou chato, não gosto de sair de casa.

Você estreou no CPT, com Pedra do Reino, já no lugar de protagonista. Como ganhou o papel?

Já estávamos ensaiando havia um ano, mas o intérprete do Quaderna, o personagem principal, ainda não estava definido. Quando o Antunes me testou, quase todo o elenco já havia experimentado o papel. Não tinha mais ninguém dentro do CPT que tivesse o perfil. Aliás, nem eu tinha o perfil. Porque ele estava procurando um ator mais velho. Eu tinha 21 anos na época, e o personagem, 41.

Você fez dois filmes. Salve Geral, do Sérgio Rezende, e um segundo que ainda não estreou.

Vai estrear no dia 10 de junho. É um filme do Toni Venturi, Estamos Juntos. Gostei muito de fazer esse longa com o Toni. Tive uma identificação artística grande com ele e com a Leandra Leal, que é a protagonista.

E é mais difícil fazer papéis que não são propriamente para sua idade no cinema? No teatro isso parece que é mais fácil.

É, no cinema isso é quase impossível. Um filme exige uma verossimilhança maior. E no teatro as próprias convenções já permitem essa flexibilidade.

O trabalhos desses diretores - no teatro e no cinema - te pareceu muito diferente?

É como dirigir um carro e dirigir um barco. É outra formação. O diretor de cinema tem muitas preocupações - a produção, a luz. A direção de atores é só um aspecto.

É possível continuar no CPT e fazer outra coisa no teatro?

Não existe uma proibição, mas é inviável. Fiz os dois filmes enquanto estava ensaiando Policarpo. Não dormia nessa época. Ensaiava aqui à noite, ia para Paulínia filmar durante a madrugada e de manhã já tinha que dar aula no CPT.

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