Leda Catunda

Uma das estrelas da chamada ''geração 80'', a artista plástica continua fazendo sucesso com obras em que mistura a pintura, o tecido, o pop e o kitsch

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em 2009, você exibiu uma retrospectiva de sua obra, da década de 1980 pra cá. E agora, o que está produzindo de novo?

Foi superlegal pra mim, fiquei emocionada! Mas pensei que estava na hora de mudar meu trabalho todo. E estou agora me apropriando de materiais de esportes. Peguei camisetas de skate, de futebol.

Por que esportes?

Acho incrível uma questão que as pessoas têm de identificação com as cores de times, com os emblemas que vêm nas camisetas de esportes. São imagens superestranhas e as pessoas usam com uma honra, uma fé... Fiquei até entendendo o esporte como a religião do século 21. Na Copa, enlouqueci com os uniformes! Skate é esporte sem grana. O futebol é o oposto. Mas trabalhei também com beisebol, bandeiras. É uma visualidade pop, a mais pop do que meu trabalho jamais foi. Tem abstração, geometria e, ao mesmo tempo, é muito identificável porque todo mundo reconhece as camisetas dos times. Só vivo no canal de esportes agora.

E quando você vai mostrar essas obras?

Na Galeria Silvia Cintra, no Rio, em agosto. Gostaria ainda de exibir em um espaço institucional.

Como é sua relação de artista paulistana com o Rio? Sempre expôs na capital carioca?

Demais, num nível em que as pessoas achavam que eu era artista carioca. Quando comecei, as instituições no Rio eram pra valer. Tinha umas exposições superlegais no MNBA (Museu Nacional de Belas Artes). A gente era quase que obrigado a ir ao Rio todo fim de semana. E havia (os críticos) o Frederico Morais, o Wilson Coutinho, a crítica funcionava bem naquela época.

Leda, você começou sua carreira no início da formação do mercado de arte brasileiro e teve desde a década de 80 uma grande projeção. Acha que essa última década foi, afinal, a da consolidação desse mercado?

Em artes plásticas, acho a luzinha no fim do túnel o Brasil ter um mínimo de estrutura agora. Acredito que seja um fenômeno mundial, na verdade, o fenômeno de mercado. Mas devemos sempre agradecer ao (colecionador) Gilberto Chateaubriand, porque nos anos 80 só tinha ele, o Sattamini, o Boghici. E hoje, em São Paulo, existe, cerca de 20 coleções profissionais.

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