Le Plat du Jour usa nonsense para cativar público adulto

Saiu no jornal. Em uma cidadezinha, no interior do Equador, o número de moradores centenários excede em pelo menos dez vezes a média mundial. O fenômeno é aparentemente inexplicável. Não se sabe se está relacionado ao clima da região, à água, a certa eletricidade presente no ar.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h00

Fato é que, por lá, até os cachorros vivem mais e foi esse episódio pitoresco o lampejo para a criação de Vilcabamba, espetáculo que a cia. Le Plat du Jour estreia hoje no Sesi Vila Leopoldina (vai até 1.º de agosto).

Mais conhecido pelo trabalho com o público infantil, o grupo de Alexandra Golik e Carla Candiotto faz, nessa peça, uma incursão pelo teatro adulto e mira, especialmente, a plateia jovem.

É a quarta vez que a dupla, criada na Europa em 1992, deixa as crianças de lado e se arrisca nesse tipo de repertório. E, assim como em quase todas as tentativas anteriores, vale-se da comédia e do apuro com a técnica física para dar o tom à montagem.

"Adoramos fazer teatro para adultos. Nos dá a possibilidade de fazer um humor mais dúbio, de brincar com o duplo sentido", diz Candiotto, avisando que a encenação resvala no politicamente incorreto para provocar o riso.

Quem assina a direção, ao lado da companhia, é o argentino Gabriel Chamé Buendia, que já havia acompanhado a dupla em As Filhas de Lear.

Apesar da inspiração no noticiário, não convém esperar por muito realismo em Vilcabamba. Fantasiosa e algo rocambolesca, a trama escrita por Alexandra Golik vale-se do lastro verídico para contar uma história salpicada pelo nonsense.

Elixir da juventude. No cenário que lembra um saloon de faroeste, o chefe de polícia Cleverson acredita ter descoberto o segredo da eterna juventude: começa a assassinar os longevos velhinhos do povoado de Vilcabamba e decide criar, com seus cabelos, uma peruca mágica.

Para garantir que os crimes nunca sejam descobertos, Cleverson convoca seu tio, um detetive incompetente, e incumbe-lhe da tarefa de investigar o caso. Matizes farsescos colorem a peça: as cenas são repletas de movimentação e ligeiras, quase como esquetes. A encenação também ganha ares de virtuosismo, com as atrizes dando conta de um sem-número de trocas de figurinos para se desdobrar em quase uma dezena de papéis.

Além do assassino espertalhão e do detetive inapto, também passarão pelo palco uma loira sexy, bombeiras lésbicas, um barman fanho e uma garotinha chata e sádica, a ruiva Sarinha, que acaba de escapar da ala pediátrica de um manicômio.

Quase como caricaturas, os personagens servem à intenção da companhia de brincar com os clichês. "A intenção era jogar com os estereótipos, apresentar o clichê do clichê", define Golik. "É quase como se fosse um infantil feito para adultos."

VILCABAMBA

Sesi V.Leopoldina. R. Carlos Weber, 835, 3833-1093. Hoje, 16h. Amanhã (sáb.), 16 e 20h. Dom. não haverá espetáculo. Grátis.

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