Le Défilé espanta a garoa e arrasta brasileiros e franceses

Grupo Ombres et Lumières fecha o desfile de samba e não deixa nada a desejar às agremiações cariocas

Livia Deodato, enviada especial do Estado,

15 de setembro de 2008 | 15h59

A fina garoa parecia não querer deixar Lyon. Durante boa parte a semana passada, ela castigou os visitantes que lotam os hotéis, muitos deles franceses que vieram conferir os 25 anos da Bienal de Dança. Ninguém havia botado fé na previsão ensolarada anunciada pelo diretor da mostra, Guy Darmet, para o último domingo, dia do aguardado Le Défilé. Pois bem, que Santa Clara resolveu dar uma força. Às 15 h, o primeiro dos 15 grupos a desfilarem em Lyon entrou sob um céu azulzinho na Rue de la Republique. Les Pointillées, sob direção de Mourad Merzouki (também responsável pela direção da carioca Cia. Urbana de Dança no ainda inédito no Brasil Agwa), trouxe 20 pessoas coreografadas com uma batucada sem muito requinte, mas que animou os milhares de franceses presentes. Alguns poucos caminhões disfarçados de carros alegóricos também preencheram o trecho destinado ao desfile, que ia da Terreaux a Bellecour, onde por volta das 18 horas ocorreu um show de música brasileira. Os cerca de 4500 participantes do desfile são todos voluntários e a lei instituída recentemente em defesa do trabalho artístico assalariado nesse caso especifico não conseguiu abalar a organização do evento. "Se tivéssemos que pagar todos eles, o desfile não aconteceria", disse Guy, acrescentando que alguns protestos viriam à tona durante o desfile. Nenhum foi visto.  "Gostaria de ressaltar aos jornalistas brasileiros, aqui presentes, que Le Défilé não e uma cópia do carnaval do Rio, mas uma inspiração", disse duas vezes Guy, no começo e no fim da coletiva concedida antes do evento. "A começar pelas coreografias previamente ensaiadas pelos grupos, o que não acontece no carnaval brasileiro". Papéis picados coloridos eram lançados com canhões em determinados pontos do trajeto e arrancavam assim ainda mais aplausos calorosos da platéia. Uma única canção era entoada por todos os grupos, que tinha arranjo musical de uma Tarantella funkeada: "Va avenir va (Vai futuro, vai)/Navire de l'avenir (Navio do futuro)/Va et vire (Vá e rodopie)/Avenir va (Futuro vai)/ Vers le nirvana (Vá em direção ao nirvana)". O desfile terminou com a escola de samba Ombres et Lumières, formada por brasileiros e franceses, que não deixou nada a desejar às agremiações cariocas. Tudo estava lá, produzido com muito esmero: comissão de frente, porta-bandeira e mestre-sala, ala das baianas e cem integrantes na bateria. Uma composição em português, do cavaquinista carioca Leo Viana, que conta parte da história do samba de como parar em Lyon, fez muitos franceses arrastarem os pés e botarem os dedinhos para cima.  A repórter viajou a convite da organização do festival

Tudo o que sabemos sobre:
Bienal de Dança de Lyon

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.