Le Corbusier abriu portas na Europa

Mestre suíço escreveu carta de recomendação para o russo em 1929

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2011 | 00h00

No dia 27 de janeiro de 1929, o arquiteto Le Corbusier enviou uma carta de recomendação (foto ao lado) ao secretário dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (Ciam), responsáveis pela definição do chamado "international style" (arquitetura funcionalista), solicitando a incorporação do nome Warchavchick à organização. A indicação de Le Corbusier um ano após a constituição dos Ciam representou não só um aval para o arquiteto como a possibilidade de novos trabalhos para o modernista russo em seu continente de origem, perspectiva animadora em meio à crise que afetou os negócios de loteamento e construção em São Paulo em 1929.

Warchavchik enviou fotos de seus projetos ao secretário Siegfried Giedion (1999- 1968), esclarecendo, por exemplo, que sua casa no Pacaembu (a da Rua Itápolis) não era "muito moderna, mas o suficiente para impressionar o nosso meio". Aceito por Giedion, o arquiteto, segundo o autor do livro, "integrou-se a uma rede de informação e intercâmbio que atravessava o planeta, promovendo o cosmopolitismo arquitetônico". Revistas como a Domus, em 1933, já publicavam as casas de Warchavchik ao lado de projetos de Le Corbusier.

No Brasil, ainda segundo Lira, a batalha da arquitetura internacional teve como um dos marcos a Exposição de Uma Casa Modernista, realizada em São Paulo em 1930, na casa da Rua Itápolis, no Pacaembu. Warchavchik, contudo, não chegou a elaborar, como Le Corbusier, um manifesto como a Carta de Atenas, apresentada pelo francês no quarto congresso (1933). Ele preconizava a separação das áreas residenciais das áreas de lazer e trabalho nas grandes cidades, servindo de inspiração para o plano piloto de Brasília por Lúcio Costa, que grudou em Le Corbusier. Warchavchik preferiu atender às novas elites que sucederam os barões do café após a bancarrota provocada pelo crack de 1929. Silenciou.

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