Lázaro Ramos estreia como dramaturgo em 'As Paparutas'

Já faz 12 anos que Lázaro Ramos escreveu "As Paparutas", peça infantil que estreou sábado passado no Teatro Fashion Mall, no Rio, sob a direção de Luiz Antônio Pillar. Ele tinha 21 anos e estava de volta à Bahia em meio a viagens da peça "A Máquina", dirigida por João Falcão e na qual contracenava com os amigos Wagner Moura e Vladimir Brichta. Os três iriam se projetar ali.

AE, Agência Estado

11 de setembro de 2012 | 10h05

"Era uma época de desemprego e aproveitei para contar uma história que me falava ao coração", diz o ator, que já dirigiu o texto, em Salvador, à época de sua conclusão, e o viu montado por outros encenadores. "Não escrevi para o público infantil. Não estava preocupado com o mercado de peças para as crianças, não segui uma fórmula. Quando montei é que fui descobrir que as crianças se identificavam. Estou louco para ver a reação do meu filho, meus três afilhados, os filhos dos amigos."

Para esta montagem carioca, foi preciso atualizar a história do menino que não se cansa de contar histórias e que se deixa encantar especialmente pela magia em torno das Paparutas, associação de mulheres que têm uma relação quase religiosa com a comida. Elas existem na vida de Lázaro desde a infância. Soteropolitano, ele tem família na pequenininha Ilha do Pati - a 1h30 da capital baiana e com cerca de 200 moradores, descendentes de escravos. Passou bons anos assistindo às apresentações que elas fazem numa praça da ilha.

A combinação de dança, cânticos, percussão, indumentária colorida e culinária típica (acarajé, vatapá, caruru, moqueca) fascinava o pequeno Lázaro, que viria a criar a peça sob o ponto de vista do menino que ele foi.

Na nova versão, o protagonista (interpretado por Samuel de Assis) se chama Jovi - apelido de João Vicente, o filho de 1 ano que tem com a atriz Taís Araújo. Entraram em cena celulares e iPods, objetos do cotidiano das crianças do mundo tecnológico e veloz de hoje.

Uma nova Paparuta (Maria Gal) chega e logo se vê que ela não é como as outras: troca o "s" pelo "x", é meio maluquinha. Tem, entretanto, que se provar competente para ser aceita pela Paparuta chefe. "Cada qual no seu cada qual, ser igual não é igual", ensina uma das músicas.

"A peça fala da valorização da diferença, estimula cada pessoa a se interessar pela sua própria origem. Todos os meus parentes são da Ilha do Pati. Eu perguntava, mas ninguém sabia explicar direito o que eram as Paparutas. Então quis dar sentido àquilo", explica Lázaro.

O investimento na autoestima infantil e no fortalecimento da própria identidade é uma necessidade para a qual Lázaro já vem chamando a atenção como embaixador do Unicef. Em 2010, ele lançou o livro "A Velha Sentada", cuja personagem principal, Edith, é uma menina introspectiva, sem amigos e insegura, que desabrocha quando parte em busca de autoconhecimento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AS PAPARUTAS

Teatro Fashion Mall (Estrada da Gávea, 899, São Conrado). Tel. (21) 2422-9800. Sáb. e dom., às 17 h. R$ 50. Até 25/11.

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