Lawrence Block e Tony Bellotto hoje na Bienal do Livro

O interesse pelo romance policial cresce, ainda que timidamente, entre os leitores brasileiros. A comprovação desse fato está no aumento no número de coleções lançadas pelas editoras brasileiras, que apostam não apenas no produto estrangeiro como também na nova geração nacional. Daí a grande expectativa para a reunião hoje, na Bienal do Livro do Anhembi, entre o americano Lawrence Block e o brasileiro Tony Bellotto. Com o perdão do trocadilho, um encontro de titãs. Será no Salão de Idéias, a partir das 15h30. Um pouco depois, às 17h30, Block autografa sua obra Quando Nosso Boteco Fecha as Portas, no estande da editora Companhia das Letras. O romance é uma viagem pela Nova York dos anos 1970, feita pelos bares que acolhem aqueles que não conseguem voltar para casa por se sentir desamparados demais. Como de hábito, a história é protagonizada pelo ex-policial e detetive torto Matthew Scudder. Segundo a crítica, Block é um dos poucos autores policiais da realidade que não se distancia da boa literatura. Ao contrário da tradicional opção por privilegiar a ação e o suspense, as histórias do americanos trazem um equilibrado tom melancólico na narrativa. Já Bellotto iniciou a série de aventuras do detetive Remo Bellini em 1995, também sob a chancela da Companhia das Letras. Começou com Bellini e a Esfinge, levado ao cinema com Fábio Assumpção no papel principal. Continuou com Bellini e o Demônio (98), em que a aventura do detetive se passa no bairro da Liberdade, onde atua a máfia chinesa. Finalmente, no ano passado, publicou Bellini e os Espíritos, em que o investigador viciado em blues e sanduíche de provolone com salaminho atua novamente em São Paulo. Sim, Bellotto elegeu a Paulicéia como palco das ações de Bellini assim como Los Angeles é a terra de Phillip Marlowe e Barcelona, a de Pepe Carvalho. A urbanidade também inspira Lawrence Block, especialmente em Cidade Pequena, também editado no ano passado. Trata-se do rascunho de um manual de pequenas e grandes perversões na maior metrópole norte-americana, Nova York. Ela é vista após os atentados de 11 de setembro como território em que tipos excêntricos passaram a ser potenciais suspeitos. "Não definiria o serial killer como uma metáfora da ameaça terrorista, mas ele bem pode ser visto dessa maneira", diz Block ao Estado quando do lançamento do livro. Para ele, Cidade Pequena é seu melhor livro, honrosa distinção para o autor de mais de 40 obras, que lhe valeram o título de Grande Mestre dos Escritores de Mistério da América. Também Bellotto considera seu mais recente romance o melhor que produziu justamente por exibir uma técnica mais apurada e, ao contrário dos antecessores, uma boa costura com reflexões fora da trama. Fã incondicional do romance policial, Bellotto decidiu estudar a técnica narrativa, buscando detalhes em obras de especialistas do gênero, que apontavam caminhos seguros para se construir uma boa história. Ao mesmo tempo, graças à sua formação musical (é um dos Titãs), desenvolveu uma técnica em que alia a escrita a determinadas canções - na maioria, blues, claro, como prefere seu detetive. O encontro, portanto, entre Bellotto e Block promete render. De um lado, o brasileiro interessado não apenas em retratar o ambiente em que vive como utilizar uma técnica apurada. E, de outro, o americano antenado com a realidade mundial e ciente de que os leitores de suspense são até mais criteriosos e menos impressionáveis que os consumidores da chamada alta literatura.HojeNo Espaço Literário Visa, às 15 horas, Hélio de Seixas Guimarães, autor de Os Leitores de Machado de Assis, analisa a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas. No mesmo espaço, às 19 horas, o escritor e letrista do grupo Língua de Trapo, Carlos Melo, fala sobre a Música em Sampa. Mark Baker e Augusto Cury, autores sempre presente nas listas dos mais vendidos, debatem A Integração entre a Ciência, a Religião e a Psicologia, às 18 horas no Salão de Idéias. Em seguida, às 20 horas, o filósofo Lou Marinoff, que costuma recomendar aos seus leitores Mais Platão, Menos Prozac, mostra como os conceitos da filosofia podem ser aplicados no cotidiano. Marinoff defende o uso prático de enunciados filosóficos para melhorar a relação entre pessoas e organizações. Dentro do ciclo de palestras do Espaço Universitário, das 10h15 às 12 horas, o professor da Universidade Paris 13, Patrick Charaudeau, e o professor da Universidade de São Paulo, José Luiz Fiorin, analisam o discurso político. Charaudeau volta ao espaço, das 16 horas às 17h50, desta vez com a mediação de Beth Brait para analisar o discurso de mídia.

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