Laura, pequena sereia do folk

Banjo, bandolim, violoncelo, contrabaixo acústico, violão. O "arsenal" da pequena e tímida cantora inglesa Laura Marling parece ser o avesso de um festival ao ar livre, mas seu folk semi-acústico mostrou uma intérprete de grande personalidade e coragem no Festival Natura Nós. Laura entrou no horário, 17h50, mantendo a pontualidade dos shows do festival - uma pontualidade até irritante, para ser honesto, porque não custa nada um ou outro bis.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Laura não se abala fácil. Sorriu quando a luz falhou, mostrou um tema inédito (que vai entrar no próximo disco, o terceiro de uma curta carreira), caprichou na intensidade de suas composições - tem um componente de tragicidade maluco, que parece não caber na figura de adolescente frágil e quebrável. Ela parece mais uma daquelas sereias do filme Piratas do Caribe 4. Festejou que sua violoncelista fazia aniversário justamente no dia do show e fez um set curto, de apenas 10 canções, mas uma première marcante - as letras na base do microfone, L.M., mostravam um cuidado delicado com a produção, certo capricho necessário.

Principiou cantando temas mais antigos, que a projetaram ainda aos 17 anos (e que a levaram a disputar o Mercury Prize com artistas como Coldplay e Radiohead), como Devil''s Spoke e Ghosts. Também apresentou as canções do disco mais recente, I Speak Because I Can, já em vias de ganhar um sucessor.

Como os shows têm rigorosa marcação de tempo, ela saiu logo após cantar I Speak Because I Can, sem voltar para um bis. Laura Marling, que parece ter nascido no lugar errado (seria mais compreensível se ela viesse do Tennessee), carrega consigo o vírus de uma canção regional, enlameada e enfumaçada, e a canta com propriedade, com entrega. Ex-integrante da banda Noah and the Whale, ela atravessou um certo percurso antes de ocupar o palco principal, e demonstra confiança em cena. Um bom exemplo para ser seguido por postulantes modernas do folk, como a nossa Mallu Magalhães.

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