Ernesto Rodrigues/AE
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Laura Neiva

Aos 14, ela estreou no cinema em À Deriva, que a levou a Cannes; aos 17, divide as aulas do ensino médio com o palco, onde estreia como a Cecile de ligações perigosas

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

Você estreou no cinema há três anos, em À Deriva, como Felipa, uma menina de 13 anos. Agora, estreia no teatro, como a Cecile de Ligações Perigosas, aos 17, como uma garota de 15. O que de comum você tinha com as duas?

Acho que as duas foram ritos de passagem. Quando fui convidada para ser Felipa, não tinha ideia do que era ser atriz, fazer cinema, tudo era uma brincadeira porque eu era mesmo uma menina. Agora, com Cecile, de uma certa forma, acontece o mesmo. Não sou mais menina, mas só tinha feito teatro na escola e estudado um ano no Célia Helena. Tudo para mim é novidade a ser aprendida. Cecile, de certa forma, é assim também. Não sabe nada sobre a sociedade em que vive. Ela é tão "pura", no sentido de que não tem moral nenhuma, que tudo pode ser escrito nela. E isso também acontece comigo.

E a diferença entre as Lauras?

A diferença é que agora já estou mais madura e mais tranquila. Nestes anos, tive tempo de pensar no que quero ser de fato, que faculdade fazer. Já sei que arquiteta não quero ser mais e ser atriz é a única coisa que sei fazer.

E ser modelo ou diretora?

Sempre "brinco" de desfilar na SP Fashion Week. Fui modelo da Ford antes de ser descoberta no Orkut pela equipe do À Deriva. Mas minha mãe nunca gostou muito da ideia. Ela também modelou, até mesmo quando estava grávida de mim, porque engravidou muito cedo, aos 15. E sabe como é a rotina do trabalho. Dizia que eu não precisava trabalhar cedo, que importante era a escola. Insisti tanto que deixou. Hoje ela vê que o que eu quero é ser atriz. Mas mantenho os pés no chão. A noção que ela me deu me ajuda a não me deslumbrar.

Disso faz parte o fato de você ter recusado convites para a TV?

Sim. Estou no segundo ano do ensino médio. Já já vou para a faculdade. Como ainda não sei exatamente o que quero estudar, vou fazer comunicação e, depois, decidir a especificação. E se vou fazer TV, que consome muito tempo, ou fazer mais cinema.

Cinema ou teatro?

A Deborah Bloch, minha mãe em À Deriva, diz que um ator pode fazer cinema, mas teatro vai ser sempre o xodó de quem começa no palco. Comigo é o contrário. Estou adorando teatro. A dinâmica é outra. O poder que o ator tem em palco é muito maior. Mas cinema é meu xodó.

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