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Latinidade à flor da pele

Nascido em Cuba, o ator Andy Garcia se dedica cada vez mais a personagens históricos hispânicos

Roger Moore / MCCLATCHY / ORLANDO ,

02 de junho de 2012 | 18h33

A intenção do ator e diretor cubano Andy Garcia jamais foi construir uma carreira interpretando figuras históricas. Mas, atualmente, segue nesse caminho. Já interpretou o músico Arturo Sandoval, o pintor Amedeo Modigliani e o presidente da República da Geórgia, Michail Saakashvili. E pode ser o agente do lutador Roberto Duran no filme que narra a vida do boxeador, Hands of Stone (Mãos de pedra). Além de ser também o general revolucionário mexicano Enrique Gorostieta Velarde no seu mais recente filme, For Greater Glory (Por uma glória maior).

"Quando há boa documentação - filmes, fotos, escritos, você tem o dever de investigar a fundo na história. Às vezes, não há muita coisa. No caso do presidente da Geórgia, consegui encontrá-lo. Modigliani? Havia muitas fotos, algumas pessoas falaram sobre ele para mim. Mas, para conhecê-lo melhor, foi preciso analisar suas pinturas e descobrir no que eu me assemelho a ele."

Em For Greater Glory, Andy interpreta uma figura emblemática da história mexicana do século 20. Enrique Gorostieta Velarde era general durante a revolução que, uma década depois, apoiou a revolta dos camponeses católicos contra reformas do governo que tinham por objetivo diminuir o poder da Igreja Católica no país. Velarde é uma figura quase mítica - um agnóstico que liderou os "Cristeros" (os revolucionários), um homem sobre o qual não se sabe muita coisa. "A família enviou-me alguns dados e há um livro que fala sobre ele. Assim, conhecemos seus valores e o que o levou a se envolver naquela causa."

Andy Garcia nunca tinha ouvido falar da Guerra dos Cristeros, rebelião de camponeses mexicanos nos anos 20 e 30 contra o governo que queria, a ponto de fazer uso da violência, arrancar da Igreja Católica o controle da educação e de outras áreas da vida mexicana. Os próprios padres se armaram na revolta.

"O que levou esse período tão extraordinário da história mexicana a ficar nas sombras? Andy se pergunta. "Deixe de lado a religião, aquela foi uma disputa pelo poder político. Um lado afirmava que a Igreja tinha excesso de poder e adotou medidas drásticas para coibir isso. E as pessoas reagiram, ‘não vamos permitir que levem isso a cabo. Temos direito e não vão tirá-los de nós’."

Aos 55 anos, Andy Garcia está indo mais a fundo no que o estudioso de cinema David Thomson previu, ou seja, que em sua longa carreira ele se envolveria "cada vez mais com temas hispânicos". E sendo hoje um ator que produz e dirige muito, reconhece o que os produtores de For Greater Glory sofreram para conseguir US$ 9 milhões para fazer o filme. A organização católica The Knights of Columbus foi uma das entidades patrocinadoras.

Andy tem os próprios projetos para os quais procura financiamento. E não desiste da obra dos seus sonhos, uma filme biográfico em que interpretará uma outra figura histórica. Ele pretende levar às telas a vida do escritor Ernest Hemingway durante os anos em que viveu em Cuba e a sua amizade com o pescador cubano Gregorio Fuentes.

Garcia já tem um terço do financiamento necessário para o filme. E o que aspira é obter o necessário para iniciar a produção. "Só quero estar numa situação em que possa resolver os problemas que surgirem. Sempre se pode fazer ajustes, encontrar soluções criativas para problemas dispendiosos. Mas se ficar fechado em casa, discutindo os problemas, não vai realizar o filme, certo?"

 
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