João Miguel Júnior/TV Globo
João Miguel Júnior/TV Globo

''Lara, Susana vieira e eu somos trigêmeos''

Aguinaldo Silva expõe bastidores da TV na série 'Lara com Z'

Patrícia Villalba / RIO, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2011 | 00h00

Quando a série Cinquentinha terminou em dezembro de 2009, o autor Aguinaldo Silva já sabia que não poderia contar mais com duas das protagonistas, Marília Gabriela e Betty Lago, que deixaram a Globo. Uma pena, porque ele pretendia fazer ainda mais duas temporadas. Mas eis que ele, um dos autores de televisão que mais sabem manobrar histórias, tratou logo de criar um spin-off - uma história que nasce a partir de outra história, coisa não muito comum na TV brasileira. Lara com Z, que lança a personagem de Susana Vieira, uma atriz que se recusa a sair da ribalta à condição de protagonista absoluta, estreia hoje na Globo, às 23h15. "A Lara é mesmo a que tinha mais carisma e fôlego para continuar. Ela revela duas coisas interessantes para o telespectador: os bastidores da televisão e não ceder jamais à aposentadoria", explica o autor, em videoconferência com o Estado, falando de sua casa em Portugal.

A Globo já teve outros projetos sobre os bastidores da TV que não vingaram. Por que será?

Não quero fazer críticas aos colegas, longe de mim. Mas nos seriados anteriores havia uma tentativa de brincar com o tema. E acho que o tema tem de ser levado a sério. As pessoas querem saber como são os bastidores reais, não como a imaginação fértil do roteirista vê isso.

Se a Lara fosse uma atriz real, ela seria da turma do Aguinaldo?

Ah, sem dúvida! Sempre digo que a Susana Vieira é muito parecida comigo, nós somos almas irmãs. E se a Lara existisse, nós seríamos trigêmeos.

Você faz grande barulho na web. Passou a se posicionar mais depois dela?

Sempre fui assim. Fui jornalista durante 18 anos, então tenho mania da comunicação. Sou do tempo da pena de pavão, mas procuro me apropriar dessa linguagem. Se você é um criador, não pode se isolar numa torre de marfim, conservado em formol até sua próxima novela ir ao ar.

Mas você destoa dos demais autores, que não costumam falar um sobre o trabalho do outro.

Deixa eu explicar. Primeiro, sou um autor de novelas. E também sou um comunicador que não abre mão de falar o que pensa. Esse Aguinaldo Silva às vezes é meio incômodo, porque é sincero demais, mas nunca falo de maneira destrutiva - tenho a maior ternura pelo trabalho dos outros. Se isso provoca algum mal-estar, peço desculpas, mas vou continuar falando.

Já teve ressaca moral?

Exatamente por ser um veículo tão instantâneo, você às vezes descobre, cinco minutos depois de ter tuitado, que foi duro demais. Quando o (cineasta) Walter Salles, por exemplo, saiu na lista dos homens mais ricos do mundo, fiz um comentário sobre ele gostar tanto de fazer filmes esquerdistas. Depois, achei que não deveria ter escrito aquilo. A gente se arrepende. Mas deletar um comentário já publicado não se pode fazer, é péssimo. O erro está lá, desculpa (risos).

Todas as suas novelas foram das 8. Sente-se mais especial por isso?

Ah, não... Especial é o Sítio do Picapau Amarelo, onde você não tem o menor problema de Ibope nem de produção - escreve seu programinha, ganha seu dinheiro e acabou. Novela das 8 é massacrante. As pessoas dizem "ah, autor de novela ganha muito bem". Mas pelo que ele sofre,deveria ganhar o dobro! Por isso, não me sinto privilegiado. Acho que o máximo que vou conseguir com isso é uma nota de pé de página na História da Televisão Brasileira (risos).

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