Jorge Rosemberg/Divulgação
Jorge Rosemberg/Divulgação

Lanny Gordin ganha homenagem no Sesc Pompeia

Artistas como Arnaldo Antunes, Chico César, Edgard Scandurra, Mariana Aydar, Rodrigo Amarante e Tulipa Ruiz fazem tributo a um dos maiores guitarristas brasileiros na quinta (2) e sexta (3); músico, em tratamento de saúde, não vai participar

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2017 | 04h00

Aos olhos de Lanny Gordin, a beleza do mundo nunca esteve representada por linhas simétricas. Isso há tempos, desde 1967, quando ele entrava na boate Stardust com 16 anos de idade para aprender com o pianista da casa, um albino míope e cheio de sotaque chamado Hermeto Pascoal. Lanny era filho do dono da casa da Praça Roosevelt, um russo chamado Alan Gordin, e não entendia porque deveria manter as mãos nos acordes naturais, sem notas tortas. Isso por ordens do próprio pai. “Quando o seu Alan chegava, eu avisava Lanny e voltávamos a fazer as harmonias convencionais. Ele era um gênio”, lembra Hermeto.

Era o mundo de Lanny. O menino nascido na China e vivido até os 6 anos em Israel chegava no início da festa. Sua linguagem nada convencional era o que a música brasileira procurava a partir da libertação dos padrões estéticos pós-Era dos Festivais. E lá foi Lanny emprestar seus solos para Gal Costa no disco Fatal – Gal a Todo Vapor, de 1971; Gilberto Gil no Expresso 2222, de 1972; Caetano Veloso em seu Álbum Branco de 1969, Rita Lee em Build Up, de 1970. Elis, Tim Maia, Itamar Assumpção. Ser ousado era ter Lanny no pelotão.

Seus 50 anos de carreira serão celebrados com um projeto de duas noites no Sesc Pompeia. Sob a idealização e direção dos guitarristas Gustavo Ruiz e Guilherme Held, Lanny Gordin Total terá um elenco muito abrangente em linguagens e faixas etárias, com formações diferentes a cada noite. Na quinta, dia 2, a partir das 21h30, participam Arnaldo Antunes, Chico César, DJ Nuts, Edgard Scandurra, Luiz Chagas, Mariana Aydar, Negro Leo, Péricles Cavalcanti, Rodrigo Amarante, Rômulo Fróes, Tony Gordin e Tulipa Ruiz. Na noite seguinte, alguns nomes se repetem e chegam mais o guitarrista Heraldo do Monte, Juçara Marçal e Kiko Dinucci. “Que outro músico conseguiria reunir tantos nomes diferentes assim?”, conta Guilherme Held.

Lanny Gordin, 65 anos, está em tratamento de problemas físicos que surgiram em decorrência de sua esquizofrenia. Por isso, não vai estar nem na plateia da comedoria do Pompeia. “Estamos estudando um meio para fazermos uma transmissão pela internet, de forma que ele possa assistir à homenagem”, diz Held. Outros idealizadores do projeto são a cantora Tulipa Ruiz e o cineasta Gregorio Gananian, que tem nas mãos o filme Inaudito: com /por Lanny Gordin, com lançamento para este ano. Algumas imagens serão exibidas em projeções durante os espetáculos.

“Quem ouve o que ele fazia lá com 16, 17 anos, percebe que foi um menino prodígio, já tinha uma sabedoria que ia além, uma visão lá na frente, sem regras, em busca de uma música espiritual”, lembra Held, considerado um discípulo de Lanny, com quem morou por quatro anos na Vila Mariana. “Ele tocou na boate Stardust ao lado de Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte. Imagina conviver com esses caras por horas. E passou a misturar a bagagem do baile com o que ouvia de Jimi Hendrix até fundir tudo no jazz brasileiro.” Hermeto fala que as drogas foram um problema sério também para Lanny naqueles anos de Stardust. “Mas sua genialidade superou isso. Ou não falaríamos de Miles Davis e Cannonball Adderley.” 

LANNY GORDIN

Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93, telefone 3871-7700.  

5ª (2) e 6ª (3), às 21h30.  R$ 9 a R$ 30

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.