Lagoa completa 35 anos de carreira

Para o ator e diretor Jacques Lagoa a arte é um instrumento para fazer as pessoas mais felizes, cultas e realizadas. Discípulo de Antunes Filho, de quem foi assistente, e de Walter Avancini, a quem atribui sua estréia como diretor na televisão, Lagoa completa 35 anos de carreira mais ativo do que nunca. Prepara para estrear, no começo do ano, no Rio de Janeiro, o espetáculo ainda com o título provisório de Romance de Lulu, do francês David Decca. Em palcos paulistanos, o diretor pretende colocar em cena, a partir de abril, a comédia nacional de Euclides Rocco Faca de Dois Cabos. Além das duas peças, Lagoa também coordena, há seis meses, o projeto O Teatro Vai à Escola, e dá cursos de interpretação em TV.Apesar da agenda recheada de compromissos, Lagoa recebeu a reportagem do Estado em seu agradável apartamento na região dos Jardins, onde falou com saudade do início de sua carreira, no Teatro de Arena, ao lado de Mirim Muniz, Guarnieri, Juca de Oliveira, Flávio Império, entre tantos outros, como também de seus novos projetos. O primeiro, produzido pelo ator Toni Correa que também faz parte do elenco, é o Romance de Lulu, de David Decca.A peça conta a história de uma jovem (Mariana Ximenez) que nutre um amor curioso por um homem mais velho (Correa), na verdade uma projeção da imagem de seu pai. Então, aparece um terceiro personagem, Marcos (Murilo Rosa), anunciando um triângulo amoroso que não chega a ocorrer, justamente pelo respeito que a jovem tem pelo marido. No final, ela (já uma mulher) termina afastada dos dois. "Essa peça traz uma simbiose humana, em que eles crescem juntos e cada um vai viver sua vida mais feliz, tirando o peso de que as pessoas começam a vida juntas e têm, necessariamente, de terminá-la juntas", conta o diretor.O texto não corre cronologicamente. Segundo Lagoa, ele começa pelo fim, volta ao presente e, depois, novamente ao passado. Ao contrário da montagem original, que traz flash-backs em vídeo, o diretor quer que tudo seja interpretado no palco. "Pretendo imprimir um tom expressionista alemão, tentando localizar o presente e o passado por meio da iluminação e de um cenário realista. Isso vai dar aos intérpretes um exercício fantástico", afirma. Além dos atores, a ficha técnica do espetáculo inclui iluminação de Maneco Quinderé, cenários de José Dias e figurinos de Fábio Namatame.O outro projeto, que deverá estrear em abril, no Teatro Imprensa, é a comédia Faca de Dois Cabos, de Euclides Rocco. "Ao contrário do trabalho anterior, este é um texto muito engraçado, que já dirigi para um grupo amador, com a intenção de arrecadar fundos para uma entidade carente, e foi um sucesso", explica. Apesar de ainda não estar inscrito nas leis de incentivo à cultura, o projeto já está em negociação para a obtenção de patrocínio. "Mas, se não conseguir patrocinadores, vou produzir com recursos próprios", adianta Lagoa.Sem elenco definido, Faca de Dois Cabos é um hilário alerta sobre as drogas. Conta a história de uma moça que vai à fazenda visitar a amiga e leva um pacote de farinha para fazer um bolo. Só que o saco fura e ela embrulha a farinha de maneira parecida com a que traficantes costumam embrulhar cocaína. Quando as duas amigas saem, deixando a farinha em cima do sofá, a filha da dona da fazenda chega e passa a achar que a mãe está envolvida com droga. Assustada, decide esconder o pacote. O problema aumenta na hora em que a mãe volta e diz que tem de entregar uma encomenda. A menina pensa ser a droga, mas, na verdade, são cachorrinhos. "É uma divertida confusão", afirma o diretor.Outro projeto que tem encantado Lagoa é o Teatro Vai à Escola, em que montagens percorrem as redes pública e particular a R$ 3,00 o ingresso. "Hoje não existe teatro para a juventude. Ou eles assistem a algumas patifarias ou a peças para além de sua faixa etária, e acabam não gostando. Cabe a nós artistas levarmos textos importantes para essa juventude. Não vejo nenhuma preocupação do governo e espero que a dona Marta Suplicy olhe isso com cuidado. Ou algumas pessoas reúnem-se para inverter a situação, ou vamos ficar fazendo comediazinhas ligeiras e bobas, às vezes bem montadas e interpretadas, mas que não ajudam ao crescimento cultural", diz.O projeto já inclui três peças. A primeira com textos de Gil Vicente, Gonçalves Dias e Martins Penna, além de um debate sobre O Auto da Compadecida. A segunda, em fase de ensaios, traz o teatro de Arthur Azevedo. A terceira é uma adaptação de Sarapalha, de Guimarães Rosa por Renata Palottini para a temporada de 2001.Convidado por Wolf Maya para dar aulas de interpretação no Estúdio Wolf, que será inaugurado com o novo Shopping Frei Caneca, Lagoa encerra este ano seus cursos periódicos com o que será dado do dia 9 ao dia 17 (aos sábados e domingos), na cidade. Com vagas limitadas, o curso terá carga horária de 16 horas. Os interessados devem ligar para (0--11) 3097-0505 e falar com Cecília.

Agencia Estado,

27 de novembro de 2000 | 17h38

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