Ladrões levam toda coleção de gravuras de Debret no Rio

Os funcionários do Arquivo Geral da Cidade, no Rio de Janeiro, terminaram na tarde desta quarta-feira o levantamento de mapas, livros, revistas, cartões postais e obras de arte, entre elas, toda a coleção de gravuras de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), cerca de mil fotografias de Augusto Malta, o fotógrafo oficial da prefeitura entre 1906 e 1936, 146 estudos do pintor Lucílio de Albuquerque (1887-1939), roubados da instituição durante o feriado prolongado de Corpus Christi. O material roubado dava para encher um caminhão, segundo o delegado federal Deuler Rocha, que investiga o furto. Debret foi um dos pintores e desenhistas que vieram ao Brasil com a missão de artistas franceses, solicitada por Dom João VI, em 1816, para retratar o país. Ficou aqui até 1831, dedicando-se à pintura e ao ensino da arte. Mais do que a paisagem, ele retratou a sociedade brasileira, destacando a forte presença dos escravos. Ao voltar para a França publicou, em Paris, a obra Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, com uma série de gravuras sobre aspectos, paisagens e costumes brasileiros, de valor fundamental para nossa história do começo do séc. 19. Além da coleção de gravuras de Debret - 87 pranchas, reproduções de uma edição limitada a partir da coleção dos Museus Castro Maya - os ladrões também levaram 146 estudos feitos pelo pintor Lucílio de Albuquerque e 2 mil cartões postais, 38 estereoscópios (técnica do século 19 em que duas imagens eram colocadas lado a lado, permitindo que a paisagem seja visualizada em terceira dimensão). O acervo de Augusto Malta, de 15 mil fotos, também foi bastante dilapidado. Os criminosos levaram 19 álbuns e deixaram oito, com fotos rasgadas e capas arrancadas. A diretora do Arquivo, Beatriz Kushnir, não informou o número de fotografias, porque o levantamento ainda não havia sido concluído nas 1006 pastas, mas a Polícia Federal informou que são cerca de mil imagens.Polícia investiga relação com outros casosOs criminosos não arrombaram nenhuma das sete portas no trajeto até o acervo. O prédio não tem sistema de segurança. Apenas três vigias, em turnos de 12 horas, cuidam do local e disseram não ter percebido movimentação estranha.A Polícia Federal quer comparar lista de visitantes com a do Museu da Chácara do Céu, da Biblioteca Nacional e do Museu da Cidade, que também tiveram peças roubadas neste ano.Por determinação da PF, as salas que guardam os bens foram lacradas. Na terça-feira, seis peritos passaram o dia recolhendo impressões digitais e fotografando a área do roubo. Hoje, após as salas serem reabertas para os funcionários, foi constatado o desaparecimento dos demais itens. O sumiço dos bens foi notado na segunda-feira de manhã, quando uma fotografia de Malta não foi localizada no acervo. ?O valor é inestimável. As fotos, por exemplo, reconstituem o Rio do início do século 20?, disse Beatriz. A diretora fez um apelo para que leiloeiros e colecionadores não negociem essas obras. ?São bens com públicos que não podem ser privatizados.? O assalto ocorreu 40 dias antes da instalação de um novo sistema de segurança. O prefeito César Maia (PFL-RJ) não explicou por que o arquivo, com acervo tão importante, não era guardado por câmeras e sensores de presença: ?A segurança seguia padrões internacionais. Só pode ter sido ação interna.?A lista completa das obras roubadas será divulgada em breve pelo Arquivo Geral da Cidade.Matéria alterada às 21 horas, com acréscimo de informações

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