Laboratório suspende cientista Nobel por declaração racista

Nesta sexta, James Watson pediu desculpas e disse que não pretendeu caracterizar africanos como 'inferiores'

MAGGIE FOX, REUTERS

19 Outubro 2007 | 11h24

Um importante laboratório científico de Nova York suspendeu na noite de quinta-feira, 18, James Watson, ganhador do Nobel em 1962, por causa de comentários racistas feitos por ele à imprensa nesta semana.   Veja também: Senador quer denunciar à ONU Nobel acusado de racismo Watson, que está em Londres para lançar um novo livro, pediu desculpas por suas declarações, dizendo que não pretendeu caracterizar os africanos como geneticamente inferiores, segundo a imprensa britânica. O cientista, premiado com o Nobel por ter descrito a estrutura de dupla hélice do DNA, foi afastado do cargo de chanceler (espécie de reitor) do Laboratório de Cold Spring Harbor, em Nova York, onde trabalha desde 1948. Assim como o Cold Spring Harbor, várias instituições e pesquisadores disseram que as declarações de Watson foram insensíveis e cientificamente equivocadas. Na véspera, o laboratório já havia divulgado uma nota lamentando os comentários de seu cientista. Watson disse ao jornal britânico Sunday Times, na edição do dia 14, que se sentia "inerentemente pessimista com a perspectiva da África", porque "todas as nossas políticas sociais se baseiam no fato de que a inteligência (dos africanos) é igual à nossa - enquanto todos os testes dizem que não é realmente assim". Em evento na Real Sociedade de Londres, Watson lamentou a polêmica. "Estou mortificado pelo que aconteceu. Posso certamente entender por que as pessoas, lendo aquelas palavras, reagiram desse jeito. A todos os que inferiram de minhas palavras que a África, como continente, é de alguma forma geneticamente inferior, só posso apresentar minhas desculpas incondicionais. Não era o que eu quis dizer. O mais importante, do meu ponto de vista, é que não há base científica para tal crença." Há muito tempo Watson declara haver uma base genética para a inteligência, algo incontestado por outros cientistas. Mas especialistas negam que existam "raças" em termos genéticos, pois o termos se refere apenas a características físicas externas. As declarações publicadas no domingo provocaram forte reação no meio científico. Elias Zerhouni, diretor do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, disse que o cientista errou "sob todos os pontos de vista...(as declarações) são completamente inconsistentes com o corpus da literatura de pesquisa nesta área". "O prestígio científico nunca é um substituto para o conhecimento. Como cientistas, ficamos ultrajados e entristecidos quando a ciência é usada para perpetuar o preconceito", disse Zerhouni.

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