"La Coruña" volta aos Jardins

O La Coruña voltou aos Jardins com as paellas e seus pratos fartos, generosos, feitos principalmente com frutos do mar. Um restaurante estável e com uma boa cozinha.A casa é uma das mais tradicionais de São Paulo. Existe há perto de 45 anos no Brás, na Rua Joli, 52, sempre dirigida por Manuel Nicolas Pico Dominguez e sua mulher, dona Carmen, que é mesmo uma grande cozinheira e que continua orientando a cozinha, trabalhando na matriz. A paella de dona Carmen atraiu muita gente até o Brás.Há alguns anos, Nicolas abriu uma filial nos Jardins, num belo espaço na região da Avenida Faria Lima, que funcionou durante vários anos. A casa foi fechada por problemas imobiliários e Nicolas voltou para o seu reduto no Brás. Há uns dois meses, surgiu uma nova oportunidade e o La Coruña retornou aos Jardins, para um edifício do tipo flat-service na Alameda Lorena, no mesmo ponto do mais que saudoso La Cave.O La Coruña ocupou o espaço do La Cave e promoveu apenas mudanças cosméticas na decoração. No pequeno bar da entrada, no térreo, foi instalado um viveiro para as lagostas, foram colocados alguns presuntos típicos e uma armadura de cavaleiro, imponente, passou a ficar de sentinela. Uma escada acarpetada (ou um elevador) leva ao salão principal, com 11 mesas e mais quatro numa espécie de corredor que leva a um gostoso reservado. Nas paredes, foram pendurados pratos, gravuras, pôsteres de tourada e outros objetos que lembram a Espanha.A casa transplantou para os jardins o cardápio tradicional, que a acompanha há anos e que tem nas paellas e pratos com frutos do mar os destaques. São muitos os capítulos: tapas (com preços entre R$ 8 e R$ 38); seis entradas (entre R$ 9 e R$ 30); sete saladas (entre R$ 6 e R$ 8); sete ?especialidades? (as paellas e outros pratos típicos, normalmente para duas ou mais pessoas, entre R$ 32 e R$ 110); oito peixes (entre R$ 25 e R$ 36); quatro pratos com bacalhau (todos a R$ 30); sete pratos com camarão (entre R$ 30 e R$ 45); cinco lagostas (todas a R$ 45); duas massas (R$ 25 e R$ 28); seis carnes e aves (entre 17 e R$ 30), além das dez guarnições (entre R$ 4 e R$ 6) e as sobremesas.Os preços algumas vezes assustam, mas é bom lembrar que muitos pratos, como as paellas, dão tranqüilamente para duas ou três pessoas. Quem não quiser ter surpresas desagradáveis na conta, é bom ir devagar com os tapas, o que nem sempre é fácil, pois as paellas demoram para chegar à mesa.O serviço é bastante eficiente, conta com profissionais experientes e capazes, como Sebastião, uma espécie de gerente-geral, e o maître João, que era do La Cave. O almoço agradou, sem superlativos positivos ou negativos. Boas e macias as lulas em rodelas, passadas na farinha e fritas. Elas vieram sequinhas, com um pouco de excesso no empanado e poderiam ter mais tempero, mais sal. Saborosos os tentáculos de polvo espanhol cortado em fatias e servidos polvilhados com páprica, o pulpo à la feria. Polvo graúdo, que poderia ser um pouco mais tenro.A paella marinera merece a fama que tem. É farta, rica, veio no ponto certo, com arroz saboroso e úmido. Ela é preparada com cinco camarões grandes, camarões pequenos misturados ao arroz, mariscos, anéis de lula, ervilhas, pimentão vermelho e outros ingredientes. Para dar mais sabor, o cozinheiro costuma picar porções de peixes variados para misturar ao arroz. No dia da visita, encontrei pedaços de salmão, o que não é muito comum.O camarão ao champanha é um prato de grande efeito, preparado competentemente por um garçom num réchaud ao lado da mesa. Os camarões, cortados ao meio, na longitudinal, são refogados, flambados no conhaque e depois preparados com vinho espumante, creme de leite e salsinha. Camarões no ponto, ainda durinhos.Carta de vinhos apenas razoável, com alguns exemplares, notadamente de brancos, já na curva descendente, velhos. Café expresso cremoso, mas não muito bom, amargo demais.La Corunã: Alameda Lorena, 1052. Tel: 881-9181

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