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Naquela zona etílico-filosófica que precede as grandes sacadas e as grandes ressacas, não poderiam dizer se já tinham passado pela fase da cachaça pura, rumo à fase dos chopes

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2019 | 02h00

Estavam naquela zona etílico-filosófica que precede as grandes sacadas e as grandes ressacas. Não poderiam dizer se já tinham passado pela fase da cachaça pura, rumo à fase dos chopes. O importante era manter a linha.

– Obrigado por ontem, hein cara?

– O que que houve ontem?

– Você me levou em casa no seu carro.

– Eu? Impossível.

– Por quê?

– Eu não tenho carro.

– Tem certeza que era eu?

– A esta altura, não tenho certeza que era EU!

– Sua mulher não estranhou você chegar tarde em casa? 

– Não, não. Aliás, nem podia. Eu não tenho mulher.

– Alemão, mais uma rodada disso que nós estamos tomando, seja o que for.

*

Um pouco depois – ou antes, nessas situações a cronologia é o que mais sofre – a conversa derivou naturalmente para o monte Everest.

– Quem foi que disse aquela frase genial?

– Que frase?

– Perguntaram pro cara por que ele tinha subido o monte Everest e ele pimba, respondeu na lata. Quem era o cara?

– A frase dele foi uma explicação sobre o que leva as pessoas a subir no Everest mesmo com o risco de morte. O que leva qualquer um a desafiar os perigos de uma assunção, ascensão... Acho que estou ficando bêbado.

– Hillary! Me lembrei.

– Não acredito que a senhora Clinton...

– Senhora Clinton não. Edmund Hillary. Foi o autor da frase.

– Espera aí. Também estou me lembrando! O autor da frase foi George Mallory, que morreu tentando escalar o pico do Everest e desapareceu para sempre.

– E o que ele disse quando lhe perguntaram por que as pessoas escalam o Everest?

– “Porque ele está lá”. 

– Cumé?

– “Porque ele está lá”. Não é genial?

– Minha vó também está lá, o que não me dá nenhuma vontade de pular nas suas costas.

– É. Um pouco inglês demais pra gente.

– Alemão, mais uma rodada! 

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