Kurosawa, 100

Mostras em São Paulo e no Rio lembram o centenário do grande diretor japonês

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2010 | 00h00

Kagemusha. Palma de Ouro em Cannes

Comemora-se hoje o centenário de Akira Kurosawa. A data ganha homenagens no Rio e em São Paulo. Aqui, a Sala Cinemateca inicia uma programação que rememora o Kurosawa do começo da carreira, nos anos 1940, e a etapa final. No Rio, é o Instituto Moreira Salles que promove a revisão da obra de Kurosawa. Lá, haverá um debate sexta, dia 26, às 19 h, com a participação do diretor Walter Salles, após a exibição do documentário Kurosawa, Pintor de Imagens. Leia abaixo a declaração de Salles. Além de cinéfilo, Salles esteve cotado, anos atrás, para realizar o remake de Céu e Inferno. O projeto não se concretizou, mas Céu e Inferno inclui a caixa de DVDs que está sendo lançada pela Europa Filmes (R$ 59,90), com cinco títulos, entre eles Os Sete Samurais e Sanjuro.

Filho de militar, Akira Kurosawa queria ser pintor. Para financiar seu sonho, começou a trabalhar na empresa de cinema Toho, como assistente. Em 1943, estreou na direção com A Saga do Judô. Essa primeira parte da carreira é marcada pelos temas contemporâneos. Juventude sem Arrependimento, O Anjo Embriagado, Duelo Solitário - também conhecido como A Luta Solitária -, Cão Danado. Em 1951, Kurosawa realiza Rashomon e sua história de samurais recebe o Leão de Ouro em Veneza. O Ocidente descobre o cinema japonês. No ano seguinte, o grande diretor volta aos temas contemporâneos com Viver. Em 1954, volta a Veneza com Os Sete Samurais e recebe, desta vez, um Leão de Prata, correspondente ao prêmio do júri, compartilhado com Federico Fellini (A Estrada da Vida), Elia Kazan (Sindicato de Ladrões) e outro grande diretor japonês, Kenji Mizoguchi (O Intendente Sansho).

Referências. Os anos 1950 assistem à sua consagração internacional, mas, no Japão, Kurosawa provoca polêmica. É considerado ocidental demais. Suas referências são a literatura ocidental - os russos, Gorki, Dostoievski etc, e Shakespeare; e Hollywood. Há um pouco de western em seus filmes de samurais - e o cinema norte-americano se apropria deles. John Sturges adapta Os Sete Samurais, que vira Sete Homens e Um Destino e a maneira de trabalhar musicalmente as cenas vai inspirar o italiano Sergio Leone, que se baseia em outro grande filme de Kurosawa, Yojimbo, para dar início à vertente do spaghetti western, com Por Um Punhado de Dólares. Rashomon também vira As Quatro Confissões, de Martin Ritt. A fase final é marcada por obras testamentais - o ecológico Dersu Uzala, Kagemusha, a Sombra do Samurai; Ran, que se baseia no Rei Lear; e Madadayo.

Kurosawa ganha os maiores prêmios do mundo - a Palma de Ouro em Cannes, o Oscar de Hollywood. No Japão, é chamado de Imperador. Em meados dos anos 1960, ele rompe com seu ator fetiche, Toshiro Mifune. A história desse rompimento artístico e humano inspira um livro que se lê como um romance monumental - The Emperor and the Wolf, O Imperador e o Lobo. Mestre do paradoxo e do movimento, Kurosawa morre em 1998, aos 88 anos, consagrado como um dos maiores artistas do cinema.

MOSTRA KUROSAWA

Cinemateca. Largo Senador Raul Cardoso, 207, telefone 3512-6111. Grátis. Até 28/3

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