Kirsten Dunst depois do Homem-Aranha

Com duas décadas de carreira iniciada aos 8 anos, atriz saúda a chegada da maturidade

JEN CHANEY, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2011 | 03h08

Os trabalhos que constam da filmografia de Kirsten Dunst são como os traços que a gente faz na parede para medir o desenvolvimento de uma criança. Eles marcam sua carreira de atriz, iniciada há mais de 20 anos, quando tinha 8 e atuou num papel que nem constou dos créditos em Contos de Nova York (New York Stories), de 1989, de Woody Allen.

Ela tinha 12 quando contracenou com Brad Pitt e Tom Cruise em Entrevista com o Vampiro (1994); e era adolescente em As Virgens Suicidas (1999) e na comédia As Apimentadas (2000), sobre animadoras de torcida; posteriormente, já mais famosa, foi a ruiva apaixonada de Peter Parker na série do Homem-Aranha (2002).

Agora, aos 29, completados em 30 de abril, quatro anos depois da era do Aranha, Kirsten colhe os maiores elogios de sua carreira por sua atuação em Melancolia. Trata-se do ambicioso retrato realizado por Lars von Trier de uma noiva esperançosa que sucumbe à depressão enquanto um planeta maior se aproxima da Terra, ameaçando acabar com a raça humana.

Kirsten não caracteriza o filme como uma volta. Mas como, depois de interpretar Mary Jane Watson (em Homem-Aranha), ela trabalhou em filmes mais calmos, menores, tem-se a impressão de que ela sumiu para retornar agora, mais amadurecida.

"Acredito que quanto mais velha eu fico, mais oportunidades eu tenho de me aprofundar no que faço", ela disse durante uma entrevista por telefone. "De certo modo está sendo mais emocionante, porque tenho menos motivos para problemas emocionais", acrescenta. Kirsten é a prova de que nem todo ator pré-adolescente está condenado a um tratamento de reabilitação, a enfrentar a justiça e reality shows pela TV. Isso não significa que a mulher que interpretou Maria Antonieta não tenha encontrado dificuldades; em 2008, ela ficou temporariamente sem trabalho e passou algumas semanas em uma clínica para se curar de depressão. Mas agora, pelo menos durante a nossa entrevista, ela me pareceu otimista, concentrada no trabalho e humilde.

À pergunta se ela assiste aos seus filmes anteriores, ela admite que às vezes dá uma olhadinha enquanto troca de canal.

"No outro dia, a HBO estava exibindo O Miado do Gato", contou ela, referindo-se ao filme feito em 2001 por Peter Bogdanovich em que ela foi a atriz Marion Davies. "Estava zapeando e olhei por dois segundos, depois mudei de canal. É estranho olhar para a gente. Principalmente quando era mais jovem."

E acrescenta: "Gosto de que minha vida tenha sido documentada... Quando envelhecer, acho que vou achar ótimo mostrar essas coisas aos meus filhos. Mas não costumo fazer maratonas Kirsten de filmes nos fins de semana".

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