Ken Loach não perde a fé

Ao comentar a seleção de 2010, a diretora artística do Festival do Rio, Hilda Santiago, viu uma nova tendência no cinema mundial. "Parece que os filmes estão menos cínicos e, nesta crise pós-utopias, existem artistas querendo acreditar de novo. Em quê? Na arte, no humano." A escolha de A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor, para abrir o evento, inscreveu-se um pouco nesse movimento. Hilda citou também um veterano que não perde a fé no humano, Ken Loach.

Luiz Carlos Merten / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

Dele, o Festival do Rio está mostrando Route Irish, sobre a Guerra no Iraque. O filme é sobre aposentado das forças do Reino Unido que vai trabalhar como segurança no Iraque. Ele convence amigo de infância a acompanhá-lo. O amigo é morto na Route Irish, considerada uma das áreas mais perigosas da região. Ao investigar o ocorrido, o protagonista descobre a sordidez dos interesses econômicos e geopolíticos na guerra de George W. Bush.

Ken Loach é uma raridade - um grande diretor que não renegou o socialismo e se define como sendo de esquerda, num mundo em que o conceito adquiriu uma conotação quase obscena. E ele humaniza seus personagens. Fergus, o combatente, faz sexo com a viúva do morto. Sente-se mal, traindo o amigo, mas é o desespero, a solidão que os une. A cena é forte, com aquela carga dramática - e veracidade - que Loach sabe extrair de seus atores.

Outro inglês, assíduo em festivais internacionais, tem seu novo filme aqui no festival. The Killer Inside Me, de Michael Winterbottom, adaptado de Jim Thompson, tem valido duras críticas ao cineasta desde que passou na Berlinale, em fevereiro. O filme é sobre xerife corrupto, e assassino. A cena em que Casey Affleck mata Jessica Alba na base da pancadaria é um horror.

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