Thomas Peter/Reuters
Thomas Peter/Reuters

Keanu Reeves discute avanço do cinema digital

Ator é coprodutor e entrevistador no documentário 'Side By Side', de Chris Kenneally, sobre o tema

IAIN BLAIR, Reuters

22 de agosto de 2012 | 13h44

O novo filme de Keanu Reeves, Side By Side ("Lado a Lado"), não tem perseguições automobilísticas, explosões ou balas em câmera lenta como as de Matrix. Mas, para os cinéfilos, há algo mais valioso do que isso --um olhar de dentro para fora sobre o impacto da tecnologia digital na arte cinematográfica tradicional.

Reeves é coprodutor e entrevistador no documentário de 98 minutos, dirigido por Chris Kenneally. Nele, personalidades como James Cameron, David Fincher, David Lynch, George Lucas, Danny Boyle, Martin Scorsese, Christopher Nolan e Steven Soderbergh falam sobre as diferenças entre filmar com película ou em suporte digital.

Side By Side estreou em 17 de agosto em Los Angeles, e chega a salas de outras cidades norte-americanas nas próximas semanas. A partir de quarta-feira, está disponível também em vídeo "on-demand", mas só para quem estiver nos EUA.

Recentemente, Reeves falou à Reuters sobre o filme.

De onde veio a ideia de Side By Side?

Há um par de anos, eu estava trabalhando naquele filme A Ocasião Faz o Ladrão, que eu também produzi, e estava conversando com Chris Kenneally sobre toda a nova tecnologia digital e todas as mudanças na indústria. Estávamos sentados na ilha de pós-produção tentando acertar a imagem fotoquímica com a imagem digital, lado a lado, e aí caiu a ficha para mim --o filme vai acabar, e deveríamos documentar toda essa evolução. Então Chris e eu gradualmente montamos uma equipe para fazer o documentário.

O filme tem entrevistas com uns 70 cineastas de ponta, diretores de fotografia e outros especialistas. Como você reuniu tudo isso?

Não foi fácil e levou quase um ano para filmar todo mundo. Começamos no festival Camera Image em 2010 na Polônia, e peguei um monte de (diretores de fotografia) lá, inclusive todos os grandes com quem trabalhei, como Vittorio Storaro, Michael Chapman e Michael Balhaus. Esse foi nosso começo, aí o boca a boca se espalhou, e comecei a contatar alguns dos diretores com quem trabalhei nos últimos 25 anos... Acabamos conseguindo quase 150 pessoas, e aí tivemos de cortar para o filme final.

Chris Nolan sempre foi um inflamado defensor da película em contraposição ao digital. É verdade que você apelou aos seus sentimentos antidigitais escrevendo-lhe uma carta à moda antiga?

Sim, realmente lhe escrevi numa máquina de escrever antiga. Acho que ele ficou tocado com aquilo, e finalmente gravamos com ele no seu trailer no Batman em Los Angeles.

Depois de fazer o documentário, como você se sente sobre o futuro da película? Ela morreu?

Acho que sim. Até Chris Nolan admite que a película, se não morreu, sobrevive por aparelhos, e que vai ficar cada vez mais difícil até mesmo conseguir película. Pessoalmente, sou um grande fã da película, e é triste vê-la ir embora, mas o futuro é digital.

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