Katia Canton lança livro no MAM

Em 1996, a crítica de arte e curadora independente Katia Canton deu início a uma longa pesquisa com o objetivo de mapear a criação artística da década. Amanhã à noite será possível conhecer mais detalhadamente o resultado dessa pesquisa, realizada com o apoio da Fapesp e da USP, com o lançamento do livro Novíssima Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna (MAM).A obra reúne informações sobre 70 artistas entrevistados pela pesquisadora ao longo dos últimos sete anos para, entre outras coisas, detectar suas reais motivações e descobrir quais foram as principais referências para a construção de sua poética. Parte desse trabalho esteve na série de exposições Visualidades Nascentes, que contrapuseram o trabalho de alguns jovens artistas da década de 90 ao dos mestres mais indicados ao longo da pesquisa. Entre os mestres indicados - alguns somente um pouco mais velhos do que os entrevistados - estão Leda Catunda, Leonilson, Regina Silveira, Tunga, Nelson Leirner, etc.A organização do livro é similar, mas em vez de dividir os artistas por filiação a um determinado artista, a autora selecionou algumas questões marcantes na produção dos 90 e subdividiu os entrevistados de acordo com as características mais marcantes de seu trabalho. Assim, obras como a de Rivane Neuenschwander e Rosana Monnerat (que ilustra a capa do livro) estão alinhadas com a idéia de "memória como condição de humanidade". O que não significa que suas obras não tenham elementos referentes a outros itens. Aliás, uma das características da produção da última década é, segundo Katia, marcada por narrativas enviesadas. "As relações de dualidade entre corpo e espírito, a memória e os registros pessoais são o grande e inquietante tema de uma nova geração", escreve ela, lembrando "que a produção contemporânea não é de negação, como foi a produção moderna de vanguarda".O depoimento de Pazé sobre seus mestres e referências é exemplar para ilustrar essa capacidade de incorporação da arte contemporânêa. Segundo ele, seus mestres "são vários, representando questões diverssas: Richard Serra, o peso; Mira Schendel, a delicadeza; Regina Silveira, a perspectiva; Amélia Toledo, um trabalho raro; Leonilson, a escrita e a desestruturação do tecido e da roupa."Um dos itens mais interessantes da entrevista se refere ao que os novos (mas não necessariamente jovens) artistas pensam que é arte. Predomina uma visão formal do discurso plástico, como uma maneira individual de se colocar no mundo, de refletir e superar as angústias da criação. Mas também transparece nesses depoimentos a certeza de que, apesar de todo o niilismo e a falta de projeto social neste fim de século, a arte é uma forma de refletir e transformar o mundo.Novíssima Arte Brasileira - Um Guia de Tendências - De Katia Canton. 200 páginas. R$ 35,00. Editora Iluminuras. Amanhã, às 18h30. Livraria Cultura. Avenida Paulista, 2.071, Conjunto Nacional

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