Luke Macgrecor/Reuters
Luke Macgrecor/Reuters

Kate Nash cresceu e apareceu

Inglesa estreia em fase mais madura, de referências mais sofisticadas, mas com pop divertido de sempre

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

A cantora e multi-instrumentista britânica Kate Nash, de 23 anos, tornou-se (como Lily Allen e Arctic Monkeys) um daqueles fenômenos que escaparam da internet há três anos. Sua página no MySpace a projetou como uma das revelações de 2009, e ela logo ganhou as capas de revistas e o estrelato. E a estrada. Passou pela Austrália na semana passada e, anteontem, cantou pela primeira no Brasil, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. E hoje estreia em São Paulo, no HSBC Brasil, às 22 horas.

O desafio de Kate é mostrar que as coisas não aconteceram por acaso e que seu segundo disco, My Best Friend Is You, lançado em meados do ano passado, é consistente e projeta o futuro. "Agora eu tenho mais liberdade para saber que direção seguir. E ainda não tenho certeza qual é", disse Kate Nash no Rio. Por enquanto, ela foi ao Pão de Açúcar e tomou umas caipirinhas na praia, em Copacabana.

Riot girl de cabelo vermelho, como a chamou um periódico britânico, Kate Nash sabe como atiçar os ânimos com canções pop sobre garotas cândidas que geralmente escondem turbilhões comportamentais. Como na letra do novíssimo hit Do-Wah-Dooh: "Todos acham que ela é bacana/ Mas eu não acho que ela seja tão boa gente/ Bem... eu acho que ela é uma piranha".

Poesia de fundo feminista, certa atitude pós-punk, um ar de "numtônemaí" permanente. Kate compõe, toca piano, guitarra, baixo e bateria. Estreou em disco em 2007 com Made of Bricks, fazendo de Foundations um hit planetário. Era ainda algo puramente intuitivo, sentimento genuíno de garota de classe média baixa ocupada em inverter o axioma de que é só homem que toma a iniciativa.

"O que eu gosto em Kate Nash - e tem um monte de coisa que eu gosto nela - é o jeito que ela aborda as partes mais mundanas da vida: a inveja, a insegurança, o desejo de ficar sem ter de namorar; e o jeito como ela dá a isso significado, universalidade", escreveu Noah Michelson, da revista Out, sobre a cantora.

Ao jornal O Globo, ela contou que sempre amou o punk rock - o que pode fazer tremer os topes de muitos por aí. "Quando tinha 16 anos, descobri Buzzcocks, Sex Pistols e todas as bandas punk britânicas, como The Adverts, The Slits, Bored Teenagers. E depois disso descobri a cena riot grrrls, com Bikini Kill, Sleater-Kinney, Bratmobile e Heavens to Betsy", afirmou.

Com My Best Friend Is You, ela buscou botar algo dessa combustão em sua mistura. É possível encontrar ecos de artistas mais maduras nas composições, como Cat Power e Regina Spector. O CD foi produzido pelo ex-guitarrista do Suede, Bernard Butler. Muito de sua nova condição de "mulher em crescimento" comparece no álbum, como a canção I Hate Seaguls - inspirada, segundo ela contou, em seu atual namorado, Ryan Jarman, da banda The Cribs. "Nunca estive em um relacionamento sério antes, e isso muda um monte de coisas. É algo como "odeio gaivotas, odeio groupies (fãs de cama & mesa) e odeio ficar doente", essa sensação de que você não suporta um monte de baboseiras. Mas aí há alguém que você ama, e é a razão pela qual tudo está maravilhoso."

Segundo sua assessoria, a biografia se resume ao seguinte: nasceu no dia 6 de julho de 1987, filha de pai inglês e mãe irlandesa. Começou a se interessar por música ainda muito nova e aprendeu a tocar piano na Sandbach School. Frequentou a escola St. John Fisher School, transferiu-se para a St. Joan of Arc Catholic School. Aprendeu a tocar guitarra com Louis Michelle, e recebeu o Certificado Geral de Educação Secundária na Escola de Performance Artística e Tecnológica no Norte de Londres. Fez uma audição em Bristol Old Vic Theatre School, a qual foi reprovada. Após cair de uma escada e quebrar o pé, o que a deixou imobilizada em uma cama, passou a compor e gravar com a guitarra que ganhou dos pais e postou tudo numa página do MySpace. Logo teria diversos convites para shows e festivais.

Made of Bricks chegou ao primeiro lugar nas paradas britânicas já no ano de seu lançamento, 2007. Ela também ganhou um Brit Award e um NME Award.

KATE NASH

HSBC Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, telefone 2163-2100, Chácara Santo Antônio.

Hoje, 22 horas. De R$ 160 a R$ 300

Vendas online: www.ingressorapido.com.br

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