Silvana Garzaro/Estadão
Silvana Garzaro/Estadão

Karabtchevsky assume a presidência da Fundação Theatro Municipal do Rio

'Sem apoio político não há programação', afirma ele

João Luiz Sampaio - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2015 | 03h00

O maestro Isaac Karabtchevsky é o novo presidente da Fundação Theatro Municipal do Rio. Ele já ocupava o posto de diretor artístico desde o início de 2013 e agora passa a compor o comando da casa ao lado de Emílio Kalil, que presidirá o Conselho de Programação, órgão que foi extinto e agora volta a funcionar. “O objetivo principal é estabelecer uma linha de trabalho que dê corpo a um projeto de programação, que é o que falta hoje ao teatro”, diz o maestro.

Karabtchevsky, que completou 80 anos em dezembro, recebendo uma série de homenagens em todo o Brasil, conversou com o Estado por telefone em seu sítio, no interior do Rio. “Foi tudo muito rápido. Estou em férias, estudando as oitavas sinfonias de Villa-Lobos e Bruckner, que vou reger agora no começo do ano. Não esperava este convite, me pegou de surpresa. E, logo na primeira conversa com o Kalil, me pareceu clara a necessidade, acima de tudo, de uma composição de forças, com a enorme experiência administrativa que ele tem na área cultural.”

Karabtchevsky vai assumir o cargo que, até o fim do ano passado, era ocupado pela atriz e cineasta Carla Camurati. Sua atuação foi marcada, de um lado, pela ampla reforma do prédio e, de outro, por polêmicas ligadas à programação, com um número pequeno de óperas, cancelamentos e trocas de títulos ao longo das temporadas. Ela, agora, vai se dedicar à programação cultural da Olimpíada 2016.


Para o maestro, a gestão de Camurati foi pautada pela “importante e necessária” reformulação física do teatro, ponto de partida para novos projetos. “Agora é o momento de repensar a programação, devolvendo ao Municipal a importância histórica que ele tem no cenário da ópera brasileira e mundial. Sempre tive muitos projetos para o teatro, mas eles esbarravam na falta de verbas.” 

O financiamento e a relação do teatro com o governo, diz o maestro, serão os temas da primeira conversa que ele, Kalil e a secretária de Cultura Eva Doris Rosental terão com o governador Luiz Fernando Pezão, na quarta (21). “Vou colocar claramente a ele que, sem um empenho político relevante, é impossível estabelecer uma programação importante. Acredito que ele compreenda a função que o Municipal tem e pode ter na vida cultural fluminense. Quero convencê-lo da necessidade de apoio político e financeiro para a programação e para os corpos estáveis da casa. Sem isso, não há programação”, afirma. 

Karabtchevsky e Kalil ainda não definiram detalhes da programação, o que só deve começar a ocorrer depois da conversa com o governador. Kalil é atualmente presidente da Fundação Cidade das Artes e deve acumular os dois postos. O maestro, por sua vez, vai conciliar a nova função no Municipal com o posto de diretor artístico e regente titular da Petrobrás Sinfônica, no Rio, e do Instituto Baccarelli, em SP.

Marcelo Calero assume secretaria no Rio

RIO - Advogado e diplomata, Marcelo Calero, presidente do Comitê Rio450 (que organiza os festejos pelos 450 anos do Rio), assume a Secretaria de Cultura da capital na vaga deixada pelo jornalista Sérgio Sá Leitão. Este sai depois de dois anos no cargo, que acumulava com o de presidente da Riofilme (do qual também está se despedindo, passados seis anos).

Calero está na prefeitura do Rio desde 2013. Ingressou na área de relações internacionais e do cerimonial. Naquele mesmo ano, passou a coordenar a preparação da cidade para a festa dos 450 anos, que estão sendo comemorados desde o réveillon e só terminam em 2016, ano dos Jogos Olímpicos.

Em seu perfil no Facebook, Sá Leitão elogiou o sucessor: “Acho que a cultura carioca está em boas mãos. Desejo a ele sorte e sucesso na nova empreitada. Faremos a transição nos próximos dias”.

Ainda no Facebook, no balanço de sua gestão, enumerou feitos como o aumento no número de projetos apoiados e de orçamento executado, a criação de pontos de cultura e a recuperação de espaços culturais. 

Com relação à Riofilme, citou o investimento, “entre 2009 e 2014, de R$ 185 milhões em 484 projetos de filmes, séries de TV, transmídia, festivais, cinemas populares, infraestrutura e capacitação”. 

Ativo nas redes sociais, Sérgio Sá Leitão recebeu críticas ao dar opiniões fortes sobre temas controversos da área cultural, e chegou a receber ameaças virtuais. Ele foi considerado truculento por interlocutores do setor cultural. 

Em fevereiro de 2013, enfrentou protesto de artistas por conta do fechamento dos teatros da rede municipal pelo Corpo de Bombeiros, que agiram na esteira do incêndio na Boate Kiss, no Rio Grande do Sul. Eles reclamaram do sucateamento dos espaços. No balanço de sua passagem pelos dois órgãos, foi considerado competente pela área da cultura.

De perfil mais discreto, Marcelo Calero só deve dar entrevista depois da nomeação. Ele vai acumular as funções de secretário e de presidente do Rio450./ROBERTA PENNAFORT 

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