‘Kangaroo’

Nos EUA, eles chamam de 'kangaroo court' ao tribunal irregular reunido unicamente para condenar e danem-se as provas

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2018 | 02h00

Mark Weisbrot dirige o Centro de Pesquisa Econômica e Política, em Washington. Ele escreveu um artigo para o New York Times de ontem, sobre o julgamento de Lula, com o título A democracia brasileira é empurrada para o abismo. Weisbrot não acreditava na imparcialidade da corte e, no seu artigo, lembra que o juiz que presidiria o painel de apelação já tinha chamado a sentença original do Sergio Moro de “tecnicamente irreparável” e sua chefe de gabinete já publicara no seu Facebook uma petição pela prisão do ex-presidente, antes de saber o resultado da apelação. O abismo de que escreve Weisbrot é uma queda no passado. Segundo ele, a democracia no Brasil nunca esteve tão frágil, desde o fim do regime militar.

Weisbrot cita dois exemplos do que chama de evidente parcialidade de Moro, quando este autorizou a condução coercitiva do Lula – que se oferecera para depor voluntariamente – só pelo espetáculo midiático, e depois a publicação da gravação de uma conversa telefônica entre Lula e a presidente Dilma, proibida por lei. Quanto às acusações que resultaram na condenação de Lula a nove anos de prisão, tecnicamente irreparáveis segundo o presidente do painel de apelação, Weisbrot diz que elas nunca seriam levadas a sério, por exemplo, no sistema judicial americano. Nos Estados Unidos, o julgamento em curso do Lula poderia ser um exemplo do que eles chamam de “kangaroo court”, um tribunal irregular reunido unicamente para condenar, e danem-se as provas 

Não sei de onde o mr. Weisbrot tira sua informação e qual é o apito ideológico que ele toca, mas fora alguns exageros como o abismo que vai nos engolir, o Brasil que ele enxerga lá de Washington é esse mesmo. Ele identifica a deposição da Dilma como o primeiro ato da exceção que vivemos agora, cujo objetivo indiscutível é barrar o futuro político do Lula e do PT.

Enfim, ninguém sabe o que aconteceu ontem – pra que lado pulou o canguru – e muito menos o que vai acontecer amanhã. Só espero que poupem o País da imagem do Lula arrastando correntes com os pés. 

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