KAISER CHIEFS FUTEBOL E ROCK 'N' ROLL

Graças a um frontman incansável (Ricky Wilson) e uma coleção de hits produzidos em escala industrial, os Kaiser Chiefs se especializaram na arte de transformar suas plateias em torcedores fanáticos. Não por acaso, carregam o nome de um clube de futebol sul-africano. Também não por acaso, suas canções viraram cantos de guerra nos estádios ingleses. Formado sob o céu cinzento de Leeds há quase 20 anos, o grupo ferverá na panela de pressão do Lollapalooza, dia 31 de março. No repertório, os grandes clássicos (como a xodó Ruby e a profética I Predict a Riot, censurada durante a cerimônia da Olimpíada de Londres), mas também algumas músicas do seu último álbum, The Future Is Medieval.

O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 02h11

"Acabamos de fazer uma turnê na Inglaterra na qual alternamos músicas antigas e outras mais novas, e deu muito certo. Mas agora, como se trata de um festival, temos que priorizar aquelas que todos conhecem", antecipa o baixista Simon Rix, sem esconder a natureza populista da banda: dar ao povo exatamente o que ele quer. "Nossa missão é que todo mundo se divirta. Se tenho uma apresentação, quero que haja envolvimento total, senão fico entediado. Na hora de compor estamos sempre pensando em como as pessoas vão reagir, mas não acho que exista uma fórmula secreta para animar o público."

Em sua gênese, na segunda metade dos anos 90, o objetivo original da banda era conseguir uma vaguinha no festival de música de Leeds, sua cidade natal. Desde o início, foram moldando canções capazes de energizar as plateias. Não demorou muito para que empresários e grandes gravadoras os descobrissem, vislumbrando hits em potencial.

Dizem que o bom chef é aquele que melhor reaproveita as sobras do dia anterior. Os cozinheiros do Kaiser levaram a lição a sério, embaralhando numa sonoridade mais catchy, comercial e formatada algumas das principais glórias do rock inglês. De Beatles a Pink Floyd, de Bowie a Blur, a história do pop parece condensada nos cinco álbuns do grupo - especialmente em The Future Is Medieval, cujo título, aliás, é sugestivo.

Mas, deixando de lado as analogias culinárias, vale ressaltar que é mesmo a cultura do futebol que acompanha o grupo desde sua primeira formação. E isso até nos rituais: antes de cada apresentação, os membros se reúnem com um abraço coletivo, como um time entrando em campo. "Na Inglaterra, futebol e música sempre estiveram muito ligados culturalmente", avalia Rix. "Acho que a grande diferença é que nos jogos as torcidas estão divididas, enquanto no show elas se unem."

A banda virá ao Brasil sem o seu principal líder artístico, o baterista Nick Hodgson (substituído por Vijay Mistry, do Club Smith). Embora tenha se afastado em 2012 por causa da doença de seu pai, Hodgson já reclamara antes que a música de guitarra anda em baixa nos festivais, e que "são tempos estranhos para estar em uma banda de rock". Rix, contudo, discorda de seu ex-colega: "Nunca é um tempo ruim para estar numa banda. Amo o que faço, e não sei se muitas pessoas podem dizer o mesmo de seu trabalho. Ganhar a vida fazendo música, sair com os amigos, tocar em lugares como o Brasil... Desde o ano passado surgiram bandas de guitarra interessantes, o que não vinha acontecendo há algum tempo, e acho isso legal."

O baixista lamenta a saída de Hodgson, mas acredita que o futuro reserva novos caminhos para o grupo. "Ele é o meu melhor amigo. Nós nos conhecemos há 20 anos e estávamos juntos na banda há mais de dez. Sentirei muita falta dele, mas em termos musicais será a oportunidade de experimentar coisas novas e tentar trabalhar com novas pessoas. No início foi o tipo de situação em que todos se perguntam 'o que vamos fazer?', mas agora o mais importante é nos concentrarmos em fazer boas canções. Estamos muito próximos de terminar o novo álbum, e sentimos que algo muito interessante começa a aparecer." / B.T.

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