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'Kaboom' está no cinema e na TV paga

Filme do diretor Gregg Araki estreou domingo no HBO Plus e na sexta terá nova exibição no canal

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h09

Gregg Araki não se incomoda com o rótulo de cineasta gay, mas ele próprio admite que se trata de um reducionismo. Numa entrevista que deu ao repórter, anos atrás, ele disse: "É uma forma de tentar minimizar o que pode haver de transgressor em meus filmes. Mas, se me colocam no gueto, é porque estou incomodando". Nascido em 1959, Araki foi dos primeiros autores norte-americanos a se erigir um culto. Numa época, chegou a ser chamado de 'Almodóvar de Hollywood'. É exagerado. Araki não possui a estatura autoral de Pedro, mas também não é 'hollywoodiano'. O cinemão tem dificuldade para deglutir suas provocações.

Tudo isso é para dizer que ele está de volta, e da forma mais inesperada, ou surpreendente, possível. Você pode escolher entre ver Kaboom no cinemas - ou na TV. Simultaneamente com as salas, o filme integra a programação da TV paga. Estreou domingo no HBO Plus e na sexta terá nova exibição no canal (à 1 h). Kaboom difere dos demais filmes de Gregg Araki por ser uma ficção científica, mas os temas são recorrentes na obra do diretor - o despertar sexual de um grupo de adolescentes, a questão da identidade.

Em filmes como Totally F* Up e Doom Generation (Geração Maldita), Araki já abordou esses temas. Em sua obra-prima, Mistérios da Carne, tratou de forma perturbadora da pedofilia. Agora, Araki situa a ação do novo filme no campus de uma universidade. O protagonista é um garoto bissexual. Morre de desejo por seu companheiro de quarto, um surfista hétero. Para sublimar a ansiedade, faz sexo com garotas - e com desconhecidos. Sua vida complica-se quando, numa festa, consome biscoitos alucinógenos. Doidão, testemunha o que parece ser o assassinato da garota ruiva que assombra seus sonhos. Ao investigar, descobre um complô.

Em Cannes, onde Kaboom passou fora de concurso há dois anos, Araki disse que o filme é seu comentário sobre o estado atual do mundo. "É lisonjeiro e, ao mesmo tempo, assustador que tantos jovens cheguem para mim e digam que meus filmes os ajudaram a se libertar, a se sentir menos solitários. A sexualidade, em pleno século 21 ainda é tabu e, se você mora numa cidade pequena ou tem uma família repressora, pode se sentir a pessoa mais infeliz do mundo, dependendo de seus desejos. Nem que quisesse, conseguiria fazer Geração Maldita 2, mas fiz Kaboom, que acho que tem mais humor. Os críticos não gostam de Smiley Face (o filme foi lançado em DVD no País como 'Louca de Dar Nó'), mas é o que está na minha cabeça neste momento. O mundo anda tão louco que uma dose de nonsense me parece bem-vinda."

Kaboom tem gente bonita, um tanto de safadeza e outro de nonsense. Pode ser pura falta de nexo, ou então mais um capítulo do namoro de Araki com o surrealismo, que percorre sua obra. Cinéfilos de carteirinha vão identificar referências a Luis Buñuel e Salvador Dalí.

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