Justus e o sonho do talk show

De volta à Record, ele diz ter inspirado a Globo na atração de Pedro Bial

GABRIEL PERLINE, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h09

Apagam-se as luzes do estúdio. Ele deixa o palco arrumando o terno e recebendo elogios da equipe de produção. Cumprimenta o repórter e promete: "Vou falar coisas que nunca disse a ninguém". Roberto Justus, de volta à Record após dois anos no SBT, não esconde a felicidade em realizar o sonho de comandar um talk show, Roberto Justus +. É nele que o empresário, apresentador e cantor recebe seus convidados e debate temas variados. "Era isso que eu queria fazer na TV. Virou uma paixão."

Durante a entrevista ao Estado, Justus fez um retrospecto de sua carreira televisiva e se orgulha do talk show que, para ele, inspirou a Globo na produção do Na Moral, apresentado por Pedro Bial. "Comecei em 2004 com O Aprendiz e peguei gosto. Sempre falei que não me considero nem melhor e nem pior que ninguém, me considero diferente, tenho meu estilo. Passou essa fase e fiquei dois anos fazendo game show. Experiência riquíssima. Depois veio o velho sonho de fazer um programa onde eu pudesse exercitar os meus conhecimentos e o meu estilo. Foi tão bem sucedido que a Rede Globo copiou esse programa para o Pedro Bial. Ninguém fala sobre isso, todo mundo diz que a Record copia. Não acho ruim, acho bárbaro." E continua: "O Bial é um talento, o programa dele está maravilhoso. Tem uma pegada diferente no estúdio, mas o programa em si é a mesma coisa. A música é um hobby que cresceu. Não é profissão, não ganho dinheiro com isso. Carreira de televisão é uma coisa séria, que me dá um prazer danado."

A ida ao SBT se deu por estar cansado do Aprendiz. "Não queria me eternizar fazendo este tipo de programa. Seis anos. Chega!" Ele negociou uma nova atração na Record, mas a contratação de Gugu atrapalhou os planos. "Meu contrato era por obra. Tinha compromisso moral com a emissora. Dei a opção de ficar, mas no momento não havia condições, ou não me quis. O SBT me ofereceu muitas possibilidades, uma remuneração absolutamente melhor e com a condição de ser uma de suas estrelas. Mas o bom filho à casa torna. Não me adaptei bem ao que estava fazendo, queria crescer. A Record sinalizou a vontade de um programa de entrevistas e me recebeu de volta de braços abertos."

Sua passagem pelo SBT causou muitas especulações. Na época, o grupo enfrentou uma de suas maiores crises com a venda do banco Pan-Americano, vítima de uma fraude contábil bilionária, e ficou sob a mira de investidores que estavam dispostos a comprar o canal e colocar Justus na figura do novo Silvio Santos. "Não iria comprar o SBT. Isso é uma bobagem muito grande que acabou me atrapalhando e gerou uma ciumeira danada lá. A emissora tem dono, tem sucessão, tem filhas, tem diretores. O que aconteceu, de fato, foi que um ou dois fundos ligados a investimentos de mídia estavam interessados e me procuraram."

Segundo Justus, os investidores colocariam dinheiro para a compra da emissora se ele estivesse à frente do projeto. "Achavam que eu era um perfil bem relacionado no mercado, bom gestor, com nome e imagem muito bons e que, de repente, interessaria a eles. Disse a eles que enquanto for publicitário não tem como comandar um veículo. São universos que têm um conflito claro de interesses. Não poderia ter uma emissora e representar os meus clientes. Perderia totalmente a credibilidade e seria alvo de desconfiança."

De volta à Record e no ar desde março com seu talk show, Justus quer mais espaço na grade. "Gostaria de crescer muito mais na televisão e ter mais um programa no prime time. Estou no fim de noite, acho maravilhoso. Grandes nomes da TV fizeram carreira nesse horário. Mas gostaria de ter um game show ou reality show. Acho que poderia ser mais usado". Voltaria a apresentar O Aprendiz? "Penso nisso como uma alternativa ao que estou fazendo. Não existem conversas sobre a volta do programa. Fazer um reality show a mais é legal. Acho que tenho mais fôlego que ficar na televisão só à meia-noite de segunda-feira."

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