Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Justin Bieber mostra a que veio em show na Apoteose

Com duração de 1h40, espetáculo atraiu 30 mil fãs

Roberta Pennafort, Rio de Janeiro

30 Março 2017 | 00h20

Em sua volta aos palcos brasileiros, Justin Bieber arrebatou cerca de 30 mil fãs na Apoteose, no Rio, em show calcado no repertório do último e bem sucedido CD, “Purpose”, de “Sorry”, “What do you mean?”, “Love yourself” e “Where are ü now” - sem deixar de fora o hit-símbolo da época em que ainda era um menino de franjinha: “Baby”. Aos 23 anos recém-feitos, o cantor canadense, que já não se esforça tanto para manter a sua fama de mau, mostrou competência ao comandar a plateia carioca, parte da qual havia acampado em barracas por quase cinco meses junto ao sambódromo para vê-lo de perto.

Depois de uma abertura pontual, às 21 horas, com "Mark my words" e fogos de artifício, ele cantou o disco quase integralmente. Os “beliebers”, muitos acompanhados de pais entediados, mães solidárias, primas mais velhas e avós animadas, fizeram coro. Com uma banda enxuta e vigorosos bailarinos, e em meio a telões com impactantes efeitos visuais, o astro pop fez coreografias sensuais, mostrou a barriga tanquinho e tatuada e jogou peças de roupa para a multidão.

"Muito obrigada por me receber, vocês terão a melhor noite das suas vidas", prometeu, antes de se arriscar ao violão em "Cold Water" e "Love yourself". Mais tarde, tocaria bateria em "As long as you love me". "Fui bem?", conferiu com os fãs ao fim. "É uma das melhores noites da minha vida. A energia daqui é incrível. O Brasil é um dos lugares a que eu mais gosto de ir, e eu realmente sinto isso". 

A noite começou com a apresentação de Rudy Mancuso, ator, músico e “youtuber” amigo de Bieber que é filho de brasileira, e se dirigiu ao público em português. Numa apresentação morna, mas esforçada, ele se alternou na bateria, guitarra, piano e percussão, e jogou para a plateia ao citar trechos de "Você", sucesso de Tim Maia, e o batidão "Baile de favela". Majoritariamente formado por meninas adolescentes e jovens adultas, o público foi generoso nos aplausos.

O show durou 1h40 e terminou com a onipresente "Sorry", Bieber ao microfone desfiando mensagens edificantes e fazendo juras de amor aos admiradores brasileiros, enrolado na bandeira nacional. Esta é a sua terceira turnê mundial - na primeira, em 2011, ele tinha apenas 17 anos. 

Recém-chegada da Oceania, a “Purpose Tour”, de cerca de 160 shows, começou há um ano, em Seattle, rodou os Estados Unidos, o Canadá, a Ásia e a Europa. O encerramento é só em setembro. Até lá, o cantor terá se apresentado para mais de um milhão de pessoas. A estimativa é que renda mais de US$ 100 milhões. 

"Justin conquistou o topo, tudo o que faz dá certo. É muito talentoso, fofo com os fãs e conseguiu dar a volta por cima. A gente cresceu junto com ele, brigou com a família quando ele fez besteira", disse a estudante Thuane Cavalcanti, de 18 anos, emocionada em seu segundo show de Bieber, e referindo-se ao abuso de álcool e conhecido destempero do cantor. "As pessoas não entendem esse amor. Ele não acaba", emendou a amiga Wanda Silva, estudante da mesma idade. 

A reportagem encontrou fãs vindos dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Rio Grande do Sul e Alagoas. Não se deparou com arrependimentos. "É uma alegria estar aqui, nessa noite de catarse para elas. Meus heróis morreram de overdose, como vou criticar o ídolo dos outros?", dizia a aposentada Eunice Severo, de 64 anos, de Porto Alegre, com duas netas adolescentes.  

O ingresso mais caro custou R$ 2.800, e incluiu, além da localização privilegiada, alguns mimos, como produtos exclusivos e o direito de entrar antes da abertura oficial dos portões, que foi às 16 horas. A entrada foi um momento de confusão e tristeza para o grupo de mais de 300 jovens que acampavam num dos acessos ao sambódromo na tentativa de ficar o mais próximo possível do palco - parte deles, em esquema de revezamento, desde novembro, o que incluiu Natal, ano novo e carnaval, quando foram deslocados por conta dos desfiles das escolas de samba. 

Uma redução no tamanho da passarela acoplada ao palco, onde o cantor dançou e cantou por boa parte do show, fez com que fosse diminuída também a área privilegiada onde eles planejavam se concentrar. Resultado: o sacrifício foi, ainda que parcialmente, em vão. Na véspera do show, a notícia da mudança na estrutura já os amedrontava. "Estou deslumbrada de estar aqui, mas muito nervosa com isso. Tenho que me controlar para não desmaiar na hora", previa a estudante Julia Pessoa, de 14 anos, chegada da cidade mineira de Alfenas com a mãe.

Antes do show, Bieber foi procurado por um oficial de Justiça por uma ocorrência policial de 2013, quando veio para seu último show. Ele pichou o muro do Hotel Nacional, obra de Oscar Niemeyer que é tombada, mas não chegou a ser notificado pelo crime contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural. Como a infração é de baixo potencial ofensivo, o cantor não deve ser mais incomodado.

Ainda em 2013, ele virou persona non grata no Copacabana Palace, um dos hotéis mais luxuosos do Rio, por ter danificado objetos de seu quarto. Dessa vez, Bieber hospedou-se no Fasano, na Praia de Ipanema e low profile. O cantor chegou a testar sua popularidade e passeou pela praia, sendo seguido por paparazzi e por quem aproveitava o sol. Não tirou selfies, mas deixou-se fotografar à vontade.

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