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Justice em dobro nas pistas

No fim da primeira década do século 21 (o tempo na música eletrônica é freneticamente mais acelerado que o tempo convencional), artistas como Soulwax, Digitalism, Justice e outros empurraram a eletrônica para um universo de atitudes e sons análogos aos do rock, agressivos, emparelhados com os do heavy metal. A batida eletrônica foi emprenhada pelo tom desafiador e rebelde do velho rock'n'roll.

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2012 | 03h09

Dessa fase, um dos grupos mais bem-sucedidos foi o duo francês Justice (Xavier de Rosnay e Gaspard Augé), que veio ao Brasil no auge e fez um show para 15 mil pessoas no Anhembi, em 2008. De lá para cá, a eletrônica foi de novo para o lado do pop e dos eflúvios do R&B feelings (Rihanna e quetais). A dupla regressa agora, após quatro anos, para o Sónar - Festival Internacional de Música Avançada e New Media Art, dias 11 e 12 de maio de 2012, no Anhembi, com um disco novo e a velha fleuma. Eles concederam entrevista ao Estado por e-mail.

Na última vez que vieram ao Brasil, em 2008, fizeram um concerto sombrio, dark. Que memórias têm daquela apresentação?

O show que fizemos em São Paulo foi o último da turnê 2008 e nós nos lembramos que estava um tanto silencioso. Esperamos que seja um pouco mais frenético desta vez.

Passaram-se quatro anos desde que vocês lançaram sua obra-chave, Cross, e agora voltam com novo álbum, Audio Video Disco. Qual a dificuldade de fazer um novo disco após tão grande expectativa criado pelo anterior?

Fizemos esse disco sem nenhuma pressão. O primeiro disco já era bastante diversificado, por isso nunca tivemos de adivinhar o que o público estava esperando da gente, se eram coisas soft como dance ou coisas mais violentas como Stress. Eis por que a gente caminha adiante sem nenhum tipo de preocupação ou tentativa de preencher expectativas além das nossas próprias.

Esse disco Audio Video Disco é uma grande síntese de rock clássico dos anos 1970 e da velha eletrônica, e também há um certo sabor de prog-rock, coisas como Yes, Asia, Rush. Concorda comigo? Estão interessados em resgatar algum legado esquecido de rock e eletrônica?

Bem, não é bem isso, mas se é desse jeito que você ouviu, é bacana, e não somos os caras para dizer se as pessoas estão certas ou erradas. Ouvir um disco é uma experiência pessoal, então todo mundo está certo qualquer que seja o que tenham ouvido e sentido sobre algo, mesmo se não era bem isso que pretendíamos inicialmente.

Há quatro anos, o vídeo de Stress, dirigido por Romain Gavras, criou controvérsia na França sobre questões como violência e preconceito. Foi acusado de estimular a violência. Vocês ainda trabalham com Gavras?

Stress é um dos nossos vídeos favoritos, e continuamos trabalhando com Romain. É um diretor muito talentoso e se mantém sofisticando sua arte. É também um amigo muito próximo e algumas vezes desenvolve ideias nas quais possamos trabalhar juntos.

No palco, vocês usam jaquetas de couro pretas, fumam cigarros, uma atitude que lembra a imagérie do rock. Vocês consideram que provocam na audiência efeito similar a um concerto de rock'n'roll?

Não, nós não achamos que fumar cigarros e vestir jaquetas de couro qualifica alguém como uma sensação do rock. Mas tentamos que parte de nosso cenário do set de palco utilize alguma iconografia ou itens do rock. Nunca nos imaginamos como uma banda de rock, mas queremos que em nossos shows haja uma sensação mais elétrica que eletrônica. Nossos shows não são shows de dance music no sentido em que tentamos fazer pessoas dançarem. Nós buscamos atingir diferentes sentimentos e estágios emocionais, não algo permanentemente dançável. Nós só embarcamos naquilo que faz sentido para a gente, qualquer que seja o cenário musical naquele momento. Isso quer dizer que jamais tentamos retratar a nós mesmos como rock stars, nossos gostos e influências são um pouco mais amplos do que isso.

Ouvi que o significado da cruz iluminada que vocês usam como cenário em seus shows é uma alusão ao racismo nos Estados Unidos, e que também tem a ver com a letra T do nome Justice. Qual é a real razão para aquilo?

Não é crítica a nada. Nossa música é completamente para diversão e livre de conteúdo político. Nunca falamos sobre política.

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