Justiça não sabe como fita chegou a emissoras

A Justiça paranaense não sabe explicar como as fitas de vídeo com cenas de tortura de uma menina de apenas três anos de idade foram parar em emissoras de televisão e jornais que circulam em Curitiba. De acordo com o delegado Luiz Melzer, superintendente da Polícia Federal, a fita foi apreendida na residência onde estava Marcelo Moacir Borelli - apontado como um dos maiores assaltantes de carros-fortes do Brasil. Além das fitas foram apreendidas armas e cartuchos de grosso calibre contrabandeados. Ele disse não saber como elas foram divulgadas para a imprensa. "Eu encaminhei a fita e a denúncia de tortura para a Promotoria de Investigações Criminais do Ministério Público", argumentou.O Ministério Público, que iniciou as investigações e já ouviu alguns dos envolvidos, nega que a fita tenha sido divulgada pelos promotores. A suspeita é a de que a fita tenha sido copiada e desviada no caminho por familiares da menina ou por pessoas indignadas com o conteúdo da fita - que mostra cenas de violência contra a criança, desde afogamentos e choques elétricos até espancamento e enforcamento.Estão presas sob suspeita de participar das sessões de tortura Zenice Roberto Pires (mãe da menina e que mantinha um relacionamento amoroso com Borelli), Maria Hilda de Carvalho (tia de Borelli e dona da residência onde foram encontradas as fitas) e Maria Cristina Marques (supostamente amante de Maria Hilda). Elas tiveram a prisão temporária decretada por tortura, cárcere privado e formação de quadrilha e são suspeitas de participar da quadrilha de assaltos a caixas-fortes e contrabando de armas de Borelli.A menina torturada está tendo acompanhamento médico e psicológico e foi submetida a um exame de lesões corporais. A suspeita é a de que ela já vinha sendo torturada há mais de três meses. "Na fita a gente percebe que ela sabia ser torturada. Ela quase não gritava. Agia como se fosse adulta", explicou o promotor João Milton Sales, da Promotoria de Investigações Criminais.A promotoria deverá pedir, nos próximos dias, a destituição do pátrio poder de Zenice Pires, que nega ter participado das sessões de tortura ou de saber sobre o fato. Ela disse, em depoimento ao Ministério Público, que as torturas aconteciam enquanto ela viajava a mando de Borelli.

Agencia Estado,

24 de outubro de 2000 | 22h50

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