Justiça libera venda de livro de Fernando Morais

O Tribunal de Justiça de Goiás cassou nesta quinta-feira a liminar que impedia a comercialização do livro ´Na Toca dos Leões´, de Fernando Morais. O livro fora apreendido nas livrarias em maio por ordem do juiz Jeová Sardinha, da 7ª Vara Cível de Goiânia. Na época, o juiz também proibira o autor e a editora de se pronunciarem sobre o episódio, sob pena de pagarem multa de R$ 5 mil por cada declaração publicada.A ação foi movida pelo deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), que alega ter sido caluniado na obra, que conta a história da agência de publicidade W/Brasil. Na página 301, o autor conta que Caiado, em 1989, então presidente da União Democrática Ruralista, procurou a agência do publicitário Gabriel Zeillmeister para fazer sua campanha. Sobre o encontro, Zeillmeister conta que o candidato, médico, defendeu a esterilização das mulheres por meio de um remédio adicionado à água. Seria a solução para o maior problema do País, "a superpopulação dos estratos sociais inferiores, os nordestinos". O deputado nega ter dito essa frase. Caiado deve recorrer da decisão.Fernando Morais comemorou a sentença. "Fico feliz. Não é uma vitória só minha, e digo isso sinceramente, não de maneira demagógica. Primeiro a Justiça proíbe um livro, depois proíbe um jornal de circular. Como fizeram com a Globo lá no norte do País, impedindo-a de mostrar uma cena de corrupção. É uma tentativa de trazer de volta a censura por meios aparentemente menos truculentos que os da ditadura, mas igualmente danosa".Cerca de 50 mil exemplares dos 70 mil da tiragem inicial de Na Toca dos Leões (Planeta, 496 páginas, R$ 44,90) chegaram a ser comercializados. Mas a Justiça bloqueou novas remessas da editora Planeta para as livrarias. "E eu vivo disso. Se você tem um livro proibido, tem seu ganha-pão proibido", disse Morais.A advogada Gláucia Callegari, do escritório Veirano Advogados, que defende a editora Planeta, disse que a ação se baseou no direito à liberdade de expressão, garantido pela Constituição Federal. O escritório já tinha conseguido que o juiz voltasse atrás na sua proibição de que o autor falasse sobre o episódio. "Passei ainda por esse brutal constrangimento", desabafou o autor, que se recorda dos tempos em que trabalhou como jornalista sob o jugo da censura, entre 1968 e 1976.Sua maior preocupação "era fazer com que a notícia chegasse ao livreiro de Santana do Livramento", exemplificando que deseja ver o livro de volta o quanto antes às livrarias.

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