Justiça libera novela para o horário das seis

Depois de quase um mês de impasse, a próxima novela das seis da Globo, A Dança da Vida, conseguiu ser classificada pelo Ministério da Justiça como apropriada para o horário pós-Malhação e começa a ser gravada mês que vem, em São Paulo. Se tudo der certo, a trama vai ao ar em meados de janeiro de 2002.A primeira leitura da sinopse de Maria Adelaide Amaral trouxe uma surpresa: a indicação da trama para exibição a partir das 21 h, com a alegação de que havia cenas de corrupção e desvirtuamento de valores éticos. A cúpula da Globo entrou em cena e tentou mostrar aos responsáveis pela classificação que não era bem assim.Tudo resolvido, surge outro problema: fechar a escalação do elenco. Só recentemente o triângulo amoroso da trama ganhou o outro vértice, quando Júlia Feldens se juntou a Fábio Assunção e Adriana Esteves. Dois personagens importantes na história perderam os intérpretes escalados inicialmente: José Wilker - que faria um vilão - e Irene Ravache - uma mulher interesseira - não puderam aceitar o convite para A Dança da Vida por causa de outros compromissos. Lília Cabral já acertou para o lugar de Irene. O de Wilker continua vago. Já estão confirmados Márcia Cabrita, como a secretária Cida; Vladimir Brichta, vivendo o vilão Quirino; Maria Luisa Mendonça, como a fútil Suelen; Herson Capri, o publicitário Wilson Pavani; Thierry Figueira, o filho de Wilson, Otavinho, e Gabriela Duarte, a menina-rica-que-fica-pobre Renata.Superando os desafios, Maria Adelaide garante que nada vai mudar seu cronograma.Você precisou fazer alguma mudança na trama para que o Ministério da Justiça classificasse a novela para o horário das seis? Maria Adelaide Amaral - Não havia razão para censurar a novela. E, portanto, não foi preciso fazer mudança na trama nem recebi solicitação nesse sentido.Por que antes resolveram classificá-la para às 21 h? Não tenho idéia do que aconteceu. Acho que alguém não entendeu muito bem a sinopse. Trata-se de uma novela sobre ética e solidariedade e assim vai ser. O fato de José Wilker e Irene Ravache não participarem da novela trouxe problemas? Lamentei a saída dos dois porque são excelentes, mas entendi as razões de ambos. Realmente é difícil para a Irene, que está fazendo teatro em São Paulo, estar na segunda-feira no Projac para gravar. Ainda não sei quem fará a personagem do Wilker. Quais os perfis desses personagens? O papel que seria da Irene caberá a Lília Cabral. Ela vai interpretar Gilda Sousa Lopes, mulher de 45 anos, de família simples, mas muito bonita. Foi recepcionista de feiras e eventos, num dos quais conheceu Conrado Lopes (Fúlvio Stefanini), pai de Daniel Guerreiro, personagem de Fábio Assunção. Mesmo apaixonada por Homero - homem ambicioso que cresceu do nada -, ela não pestanejou em se casar com Conrado, antevendo as vantagens de um político rico. Com o desenrolar da trama, a possibilidade da se confrontar novamente com a pobreza vai deixá-la desesperada. O grupo de dança de crianças da Favela da Maré, no Rio, entidade que participa da Ação de Cidadania, fará uma participação especial. Você pensa em inserir na novela outros grupos como esse? Muitos outros na medida das necessidades da trama. Os meninos da Favela da Maré e os Meninos do Morumbi participarão da apresentação da novela, cantando e dançando a música do Gonzaguinha, que dá nome à novela. A idéia é oferecer ao público uma novela cheia de emoções e humor onde a participação social será pano de fundo. A novela começará a ser gravada em São Paulo. A escolha foi casual ou tem a ver com o que você quer dizer em "A Dança da Vida", com pessoas querendo um lugar ao sol a qualquer custo? A escolha deve-se ao fato de eu morar em São Paulo e conhecer razoavelmente os diferentes segmentos sociais da cidade, o que não aconteceria se a novela se ambientasse no Rio. Posso até saber como é a classe média carioca, mas não sei como pensa o pessoal do subúrbio. Aqui eu conheço melhor o povão.

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