Justiça libera livro "proibido" sobre Aleijadinho

A Justiça liberou esta semana a comercialização do livro O Aleijadinho e Sua Oficina (Editora Capivara), um trabalho de catalogação da obra do escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. O livro tinha sido proibido por decisão da 4.ª Vara Cível da Capital, que mandou apreender a edição integral do livro. O pedido de recolhimento dos 3,2 mil exemplares do livro foi feito por um colecionador, Renato Whitaker.A sentença foi publicada na quinta-feira. O juiz não só liberou a comercialização da obra, como também negou o pedido de indenização feito pelo colecionador, que previa prejuízos a sua coleção com a publicação. E suspendeu o chamado "segredo de Justiça" que cercava o processo. Whitaker afirmou ontem que pretende recorrer da decisão."Decisão da Justiça não se discute, cumpre-se", disse Whitaker. "Mas eu lamento a decisão e acho que essa mudança de opinião do juiz é incompatível com seu juízo inicial". Ele afirmou também que pretende escrever um livro para mostrar os "inúmeros equívocos" da obra.Segundo Bia Corrêa do Lago, da Editora Capivara, "o livro não foi feito para atacar o colecionador Renato Whitaker; foi feito porque era necessário um trabalho aprofundado sobre a obra do Aleijadinho, uma obra de referência". A editora informou que os exemplares que tinham sido recolhidos já foram recuperados e estão à venda nas livrarias (R$ 175,00 o exemplar).O livro é resultado do trabalho de três pesquisadores ligados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan): a historiadora Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, o restaurador Antônio Fernando Batista dos Santos e o estudioso Olinto Rodrigues dos Santos Filho. Sua tese estabelece, entre outras coisas, que os Passos da Ceia, um dos maiores sítios escultóricos do artista, em Congonhas do Campo (MG, tombado pela Unesco em 1985), só tem um terço de obras do Aleijadinho. O restante, cerca de 20 imagens, seria trabalho de artesãos de sua oficina - alguns de pouca habilidade.O governo de São Paulo teve questionada uma imagem que possui no Palácio dos Bandeirantes, uma imagem de S. José de Botas que, segundo o estudo, "não revela aquela beleza de movimentos da obra do mestre". Obras de museus do Brasil todo e de coleções famosas, como as de Leda Nascimento Brito e Mário e Beatriz Pimenta Camargo, também foram questionadas.

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