Julio le Parc expõe em dois endereços

Duas mostras históricas abrem as portas esta semana em São Paulo. Sem expor na cidade desde 1967, o artista argentino, radicado na França, Julio le Parc mostra sua obra em todo o seu esplendor em duas exposições quase simultâneas. A primeira delas foi inaugurada na última segunda-feira na Galeria Nara Roesler e reúne um conjunto de 33 trabalhos, realizados a partir de 1959. E nesta quinta-feira à noite será aberta na Pinacoteca do Estado uma retrospectiva com 15 instalações e seis pinturas, que retoma de maneira quase fiel a mostra feita em homenagem a Le Parc na 2.ª Bienal do Mercosul, em 1999. Há também uma grande obra inédita, feita especialmente para a sala octogonal do museu. A grande diferença entre as duas seleções, ambas feitas sob a curadoria de Sheila Leirner - que procurou reter a essência da obra de Le Parc, sem perder-se em detalhes ou caminhos secundários pelos quais o artista eventuamente enveredou-se ao longo de quase meio século de arte -, é a dimensão dos trabalhos. Enquanto as obras da Pinacoteca têm a imponência que o museu da Luz permite, as peças exibidas na galeria podem ser comparadas à música de câmara, refletindo todo o pensamento - e a encantadora poesia - da obra de Le Parc com poucos e singelos elementos. A primeira sensação que se tem ao ver o trabalho de Le Parc é uma espécie de encantamento. É esse exatamente o objetivo do artista, que brinca com elementos como a luz, o movimento, a cor e os relevos para conquistar, seduzir o espectador. Curiosamente, essa abordagem lúdica tem estreita relação com uma coerente atitude política. O engajamento de Le Parc o levou as questionar as instituições e o status quo artístico, mostrando na prática que a sacralização da arte afasta o público e gera uma arte estéril.Aos 73 anos, concilia uma enorme irreverência e bom humor a um grande vigor criativo. Ele não costuma hierarquizar ou organizar temporalmente suas diversas manifestações plásticas. Pinturas, engenhocas eletrônicas que hipnotizam o espectador com seus balés de luz, ou móbiles que exploram a transparência e o brilho dos objetos, todos os seus trabalhos se entrecruzam sem ter necessariamente uma hierarquia cronológica ou estilística e remetem obrigatoriamente a uma visão ativa da arte. Como resume Sheila Leirner, é exatamente esse caráter ao mesmo tempo lúdico e participativo que garante a atualidade da obra de Le Parc, um artista central da segunda metade deste século, cujo nome é muito conhecido, mas cuja obra poucos brasileiros tiveram a oportunidade de admirar.Arte têxtil - Além da obra de Le Parc, o público da Pinacoteca do Estado também terá oportunidade de admirar uma seleção da produção têxtil de Martha le Parc, mulher do artista, que o acompanha desde que deixaram a Argentina há quase meio século, mudando-se para a França, onde instalaram residência - a não ser pelo curto período em que não tiveram seus vistos renovados por participarem das manifestações de maio de 68. Aliando uma interessante pesquisa estética, baseada na exploração de diferentes formas e cores, a uma busca de técnicas artesanais de confecção de tecidos e tramas, Martha compõe um panorama exuberante, que dialoga com a arte contagiante de seu companheiro. Para a mostra da Pinacoteca, ela trouxe 35 tapeçarias e tecidos, feitos na década de 90.Julio le Parc. De terça a domingo, das 10 às 18 horas. R$ 5,00. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, tel. 229-9844. Até 1/7. Abertura sexta-feira, às 19h30, para convidados Julio le Parc. De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, das 11 às 15 horas. Galeria Nara Roesler. Avenida Europa, 633, tel. 3063-2344. Até 9/6

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