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Julietas e Romeus

A inspiração do bardo foi o poema de Arthur Brooke, que por sua vez se baseara em uma tradução francesa que se apoiara em uma italiana

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2020 | 03h00

Se é verdade que nunca haverá uma história de amor como a de Romeu e de Julieta, espoquem o champanhe: amanhã é dia deles. Os namorados eternos de uma jornada para lá de funesta giram de felicidade na tumba na bela Verona para ser narrada de várias maneiras em prosa e verso. Aliás, mais verso (90%) do que prosa (10%), de acordo com a pena do nosso bom e velho Will Shakespeare. Não é para poucos. São quatro, exatamente. A inspiração do bardo foi o poema de Arthur Brooke, que por sua vez se baseara em uma tradução francesa que se apoiara em uma italiana. Ninguém é de ninguém.

Canto do rouxinol

Will virava a casa dos 30 anos quando começou a escrever a maior história de amor do mundo, texto formado por 3.185 versos. Romeu detém 20% das falas e sua musa, Julieta, de 13 anos, 18%. Praticamente uma igualdade de direitos não fosse, claro, a presença no elenco de 33 homens e quatro moçoilas. Uma covardia, imaginando que na obra de Will a coisa só piora na divisão de gêneros: há 1.439 homens e 200 mulheres dentre todos os personagens criados. 

Amor e sangue

Do famoso filme homônimo de Franco Zefirelli a Romeu+Julieta com Leo DiCaprio e Claire Danes (1996), o cinema tentou dar o seu melhor em filmes melosos e por vezes violentos sobre o romance. Mas quem abalou as estruturas foi o grupo mineiro Galpão. Em 2012 apresentou no The Globe, em Londres, uma versão como os britânicos nunca viram. A direção de Gabriel Vilela criou uma Julieta bailarina e um Romeu equilibrista, tomados de encanto e ternura. youtu.be/pNvTDEplX0o 

Beijo justo

Mas há gosto para tudo, uma pena. Está boiando na rede um pastelão com Hebe Camargo e Ronald Golias, que protagonizaram no SBT duas versões do casal apaixonado, a de 1990 e outra de 2003 – o link a seguir refere-se à última. Melhor ficar com a cândida versão de Mauricio de Sousa, que também virou musical no teatro, do longa Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta – a dentuça mais famosa do País não larga seu coelhinho Sansão. youtu.be/8t-R77zih2U 

Adaga feliz

E no fim de tudo, se nenhuma dessas Julietas e desses Romeus agradarem a toda gente, sempre há um último recurso: corte uma fatia de queijo branco (mineiro, please) e deite sobre ele gentilmente uma legítima goiabada. Com todo respeito.

3 dicas de Marcelo Montenegro, poeta e roteirista

1. Larica Total

Programa inédito toda sexta. GlobosatPlay 

 

2. Nei Lisboa Em casa e (Ao) Vivo 

Live às quintas. bit.ly/2YfoRE1 

 

3. Notícias de outras ilhas

Dicas de leituras.

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