Júlia e o pré- feminismo de Billy Wilder

O Anel da Luz Eterna

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2013 | 02h10

16 H NA GLOBO

(A Ring of Endless Light). EUA, 2001. Direção de Greg Beeman, com Mischa Barton, Ryan Merriman, Scarlett

Pomers, James Whitmore.

Menina vai visitar o avô que está morrendo e ele procura se certificar de que ela seguirá seu coração, não os planos traçados pelos pais para o seu futuro. Boas intenções, mas qualidade mediana. Reprise, colorido, 88 min.

Fahrenheit 451

22 H NA CULTURA

(Fahrenheit 451). Inglaterra, 1966. Direção de François Truffaut, com Oscar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack, Anton Driffing.

O filme em língua inglesa de Truffaut adapta Ray Bradbury, projetando uma visão sombria do futuro, em que a função dos bombeiros não é apagar incêndios, mas atear fogo a livros. O cinema de Truffaut fala da carência de amor, de cultura. É seu filme mais hitchcockiano (como O Garoto Selvagem é o mais rosselliniano). A trilha de Bernard Herrmann acentua o clima gélido. Não é um grande Truffaut, mas possui certas qualidades que justificam sua apresentação no Clube do Filme. Reprise, colorido, 112 min.

Falcões da Noite

23 H NA REDE BRASIL

(Nighthawks). USA, 1981. Direção de Bruce Malmuth, com Rutger Hauer, Sylvester Stallone, Billy Dee Williams.

Em 1981, 20 anos antes do ataque às torres gêmeas, o diretor Malmuth transformou Rutger Hauer num terrorista à solta em Nova York, caçado pela dupla de policiais Sylvester Stallone/Billy Dee Williams. Leonard Maltin não exagera ao dizer, em seu guia, que a narrativa eletrizante deixa o espectador com o cabelo em pé. Mas o talento que revela aqui o diretor diluiu depois em comédias tolas e episódios rotineiros de séries. Inédito, colorido, 98 min.

TV Paga

Villa-Lobos - Uma Vida de

Paixão

15H55 NO CANAL BRASIL

Brasil, 2000. Direção de Zelito

Vianna, com Antônio Fagundes,

Marcos Palmeiras, Letícia Spiller,

André Ricardo, Marieta Severo, Ana Beatriz Nogueira.

Bem produzido, mas acadêmico e um tanto gélido, o filme cobre três períodos da vida do compositor Villa-Lobos - infância, juventude e idade madura -, tentando mostrar como ele se deixou inebriar pelo Brasil e criou as Bachianas. Interessante. Reprise, colorido, 134 min.

Quanto Mais Quente Melhor

19H45 NO TELECINE CULT

(Some Like It Hot). EUA, 1959. Direção de Billy Wilder, com Jack Lemmon, Tony Curtis, Marilyn Monroe, Joe E. Brown, George Raft, Pat O'Brien.

Considerada a melhor comédia de todos os tempos numa votação do American Film Institute, a obra-prima de Wilder integrou, em versão restaurada, a retrospectiva The Weimar Touch, no recente Festival de Berlim. Jack Lemmon e Tony Curtis testemunham assassinato e se disfarçam como mulheres, integrando uma orquestra de senhoritas para fugir de gângsteres em Chicago, 1929. Ambos se envolvem com a sexy Marilyn Monroe e Lemmon, como Daphne, desperta o desejo de Joe E. Brown, que tem a frase final (e definitiva) - "Ninguém é perfeito". Um grande filme, e o que Wilder dizia sobre sexualidade, há 50 e tantos anos, estava adiante de sua época. Marilyn infernizou a vida do diretor com sua insegurança. Certas cenas foram refeitas dezenas de vezes. Mas, como refletia Wilder, tudo valia a pena quando ela ocupava a tela com suas persona radiante. Reprise, preto e branco, 119 min.

Busca Frenética

22 H NO TCM

(Frantic). EUA, 1988. Direção de Roman Polanski, com Harrison Ford,

Emmanuelle Seigner, Betty Buckley, John Mahoney.

Harrison Ford faz médico que vai a Paris para participar de congresso. Ele leva a mulher para o que ambos pretendem que seja uma segunda lua de mel, mas, na sequência de uma troca de malas no aeroporto, ela desaparece. Thriller benfeito, mas que nunca envolve o espectador de verdade, o cartaz da TV paga apresenta uma interessante reflexão sobre o falso e o verdadeiro, numa época em que o cinema, e a arte em geral, estavam em plena vertigem do pós-moderno. É curioso o uso que o cineasta faz da Estátua da Liberdade. A original está em Paris e a réplica ficou famosa ao ser doada pelo governo francês aos EUA. Toda a construção dramática parte daí. Reprise, colorido, 120 min.

Júlia

0H05 NO TELECINE CULT

(Julia). EUA, 1977. Direção de Fred Zinnemann, com Jane Fonda, Vanessa Redgrave, Jason Robards, Maximilian Schell, Hal Holbrook.

Sempre atraído por personagens em choque com a própria consciência, Zinnemann - o acadêmico mais bem-sucedido de Hollywood - marcou época com este filme que virou bandeira das feministas. Jane Fonda faz a escritora Lilian Hellman e a história, baseada em Pentimento, trata tanto de sua ligação com o marido, o também escritor Dashiell Hammett, quanto com a amiga Júlia, uma judia europeia que resistiu ao nazismo, integrando a resistência dos anos 1930. Vanessa Redgrave venceu o Oscar de atriz coadjuvante e prêmios da Academia também foram para Jason Robards e para o roteiro adaptado (de Alvin Sargent). Reprise, colorido, 118 min.

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