Juíza vai decidir futuro do clone Léo

Glória Perez promete criar polêmica no final da novela O Clone. A autora já está preparando os últimos capítulos, previstos para maio. Mas o complicado será decidir o destino do clone Léo (Murílo Benício), ou seja, quem vai ganhar o direito da paternidade.Para trazer um pouco de realidade a um tema tão recente, Glória pediu a ajuda da juíza federal aposentada Ana Maria Scartezzini para formular uma sentença. Ela vai entregar sua "decisão" no próximo dia 15 e a autora se baseará nela para escrever os capítulos que envolvem o caso.Léo será alvo de três processos. Leônidas (Reginaldo Faria) vai entrar na Justiça pedindo o reconhecimento legal do clone como seu filho. Os pais de criação de Léo, Deusa (Adriana Lessa) e Albieri (Juca de Oliveira) também vão apelar para os tribunais, com medo de perder a guarda do rapaz. Por fim, Lucas, irmão de Diogo, morto no início da trama, do qual Léo foi clonado, tentará impedir que ele seja registrado como seu irmão.Toda a confusão não tem precedentes em nenhum tribunal do mundo, o que torna a decisão da juíza facilmente contestável. "A clonagem é um tema novo. Seu fim é, em tese, terapêutico, não havendo, portanto, nenhuma lei que sustente essa decisão", explica Ana Maria.Para formular a sentença, a juíza vai realizar uma ampla pesquisa em materiais científicos internacionais e consultar artigos de estudiosos da clonagem, desde seus primeiros passos até a clonagem humana. Fora a questão científica, ela também vai estudar as opiniões de especialistas em ética e religião, que publicaram artigos sobre o assunto. "A Glória Perez tem tratado temas religiosos com muito carinho na trama. Levarei em consideração esse aspecto, para ficar em sintonia com a mensagem que ela quer passar."A falta de lei específica para a clonagem é uma das lacunas do direito e o juiz tem que utilizar de princípios, analogias e até a boa-fé para formular a sentença. A clonagem nem é o único exemplo. O uso da Internet não tem o sustento legal suficiente, em casos de uso de imagens e textos. "Mesmo não havendo leis, sempre há como recorrer da decisão de um juiz."O conflito entre as partes no "caso Léo" será regado com discussões no "tribunal". A autora irá elaborar diálogos que tratem da religiosidade e da ética para dar a oportunidade ao espectador de tomar sua própria decisão.Se Léo for reconhecido como filho de Leônidas, Lucas terá poucas chances de impedir o registro do clone como seu irmão e, portanto, terá que dividir a herança com ele. A situação pode ser levemente comparada com os freqüentes casos de mães que pedem a guarda do filho anos depois de eles terem sido criados por pais adotivos. Ana Maria diz que a decisão não pode prejudicar o "filho" em nenhum momento.A juíza aposentada, hoje advogada, foi a mesma quem formulou a decisão na novela Barriga de Aluguel, que favoreceu a mãe biológica (Cássia Kiss), em disputa pela guarda do bebê com a mulher que o gerou, interpretada por Claudia Abreu. Qualquer que seja a decisão, espera-se muita discussão. E muitos pontos no Ibope.

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