TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Manifestantes contra e a favor de Judith Butler protestam no Sesc Pompeia

Grupo maior apoiava a presença da filósofa norte-americana, e pessoas contrárias chegaram a dizer que o protesto foi 'vitorioso'; debate ocorreu normalmente

Pedro Rocha, ESPECIAL PARA O ESTADO

07 de novembro de 2017 | 12h11
Atualizado 07 de novembro de 2017 | 17h39

Manifestantes contrários à palestra da filósofa americana Judith Butler no Sesc Pompeia, em São Paulo, encerraram na manhã desta terça-feira, 7, os protestos do lado de fora, alegando terem sido “vitoriosos”. A palestra de Butler desta terça-feira, 7, ocorreu normalmente dentro do local. Veja vídeos do protesto:

Os manifestantes, que não chegavam a 50 e gritavam palavras de apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro, além de dizeres contra os “comunistas e esquerdistas”, queimaram um boneco com o rosto de Butler, aos gritos de “queima, bruxa”, "queima, Butler" e "fora, Butler". 

O protesto contra Judith Butler foi realizado, segundo os manifestantes, por não concordarem com a “ideologia de gênero” pregada pela filosofa. “O brasileiro não aceita a depravação da nossa cultura”, dizia um membro do protesto no megafone. 

Um carro parado na rua dava apoio com uma caixa de som aos manifestantes. A dona, que se identificou como Celene de Carvalho, informou que ali estavam reunidos os grupos Ativistas Independentes e São Paulo Tem Jeito. Celene, que trabalha no ramo de hotelaria, explicou o motivo do protesto. "Estamos aqui em defesa do brasileirinho, que tem o direito de ser criança."

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Questionada sobre a relação com Judith Butler, ela afirmou que a ameaça às crianças vem das discussões sobre gênero encabeçadas pela filósofa. "Ela é personificação da ideologia de gênero, uma falsa acadêmica que defende uma falsa ideologia." 

Também em protesto contra Butler, mas afastados do grupo maior, estavam membros do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, uma associação civil que descreve em seus obetivos "mobilizar a sociedade civil e preservar a Civilização Cristã". "Ela é um símbolo da ideologia de gênero e protestamos pelo fato de ela ter guarita num local que recebe verbas públicas", afirmou o coordenador de campanhas do Instituto, Daniel Martins, em referência ao Sesc. Apesar da palestra de Judith desta terça não ter a ver com gênero, Martins defende o protesto sobre a questão. "Ela declarou que é preciso discutir gênero nas escolas e reclamou dos grupos conservadores."

Do outro lado da porta do Sesc Pompeia, na Rua Clélia, estava concentrado um grupo ainda maior, numa manifestação, mais silenciosa, porém, a favor de Judith Butler. "Reunimos pessoas com e sem conhecimento da obra de Butler. Estamos aqui para garantir um direito democrático, de liberdade de expressão", afirmou o produtor cultural Gabriel Lindenbach, que se identificou como membro do coletivo Coalas. Os grupos Pompeia Sem Medo e Além das Sombras também apoiram os protestos a favor da filósofa. "O nosso lado em nenhum momento quis proibir o outro, e sim dizer que Judith, juntamente com o debate que ela traz, é bem-vinda", acredita o produtor, que se manifestou a favor das discussões sobre gênero nas escolas. 

Os manifestantes, contra e a favor, foram separados pela Polícia Militar de São Paulo com fitas isolamento. Houve confusão no momento em que as fitas era colocadas no lado contrário à palestra de Butler. 

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