Tiago Queiroz/ Estadão
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Juca Ferreira diz que acha manifestação por impeachment 'um erro'

Ministro da Cultura se mostrou confiante em "sair desse imbróglio em que a gente está entrando, essa crise política".

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 12h52

Em encontro com blogueiros, ativistas da cultura digital e sites independentes em São Paulo, no Centro Cultural São Paulo, o ministro Juca Ferreira disse nesta quarta-feira, 4, à tarde, que encontrou um "clima de medo" no retorno ao MinC, um ambiente de insegurança, no qual "ninguém assina nada" - referindo-se à dificuldade de se assumir compromissos. Estimou a retomada dessa confiança em 3 meses, e também se mostrou confiante em "sair desse imbróglio em que a gente está entrando, essa crise política".

Ferreira não mostrou o costumeiro espírito conciliador. Afirmou que, em sua gestão anterior, seus adversários o tratavam como a um "ursinho de pelúcia", mas que a conjuntura agora "está mais para enfrentamentos do que consensos". Segundo Ferreira, "as energias corrosivas estão soltas", e que o País passa por um momento de insegurança, de perda de credibilidade na própria democracia. Os que foram responsáveis pelos avanços sociais hoje "estão na berlinda", considerou, e o que emergirá disso será algo no qual a cultura terá um papel preponderante.


O ministro alfinetou os precoces primeiros críticos de sua nova gestão. "Estamos trabalhando a mil. Os opositores também, podem ver aí pela grande mídia", disse. Chamou de "boçal" um articulista do jornal Folha de S.Paulo, que não nominou, e que escrevera que o coletivo Fora do Eixo estaria aparelhando o Ministério. "O que a imprensa enche meu saco por causa do Fora do Eixo", ele disse, acrescentando que foi secretário de Cultura de São Paulo e a instituição nunca teve um único integrante na gestão, e que o único edital para o qual concorreu o Fora do Eixo perdeu.

Rebateu quem considerou a nomeação de Beto Brandão para a presidência do Instituto Brasileiro de Museus como uma escolha de direita, retrógrada. "A política é a mesma", afirmou, dizendo que a acusação de facilitar a privatização de museus é infundada. "Não é nada disso. Não vamos privatizar. Ele vem para modernizar".

Discursou contra a eclosão de diversos núcleos de corrupção na administração pública, e voltou a dizer que considera esse um ciclo político esgotado. A leniência com a corrupção e a "falta de lucidez", disse, permitiu que houvesse uma "emergência de um Brasil reacionário assustador, um reacionarismo proto-fascista". Disse que é urgente corrigir esse rumo. "Nossos corruptos não são melhores que os corruptos dos outros. São piores".

Juca Ferreira comparou seu grupo de auxiliares nas duas primeiras gestões do governo Lula aos 300 de Esparta, dizendo que enfrentou um inimigo poderoso e numeroso sem se desviar de seu objetivo - citou de novo a imprensa como aríete dessa investida. "Disseram que a gente queria cercear a livre expressão. Com Gilberto Gil isso não pega. Comigo, que sou menos famoso, pode até pegar", afirmou. Ao finalzinho, ele mencionou a manifestação pelo impeachment da presidente Dilma marcada para o dia 13 e disse que a considera "um erro".

Um dos seus auxiliares, o novo presidente da Funarte, Francisco Bosco, lembrou de uma boutade contada internamente no ministério, que o compara à Islândia no atual momento. Bosco explicou: no momento de crise na Europa, em que todos os países se submetiam à ortodoxia econômica, a Islândia foi no sentido contrário, aprofundando a democracia. O encontro com os midialivristas (como o grupo que não milita em grandes grupos de mídia foi batizado) ali presentes mostrava, segundo o presidente da Funarte, que a imagem é correta. "Não imagino o Joaquim Levy fazendo uma reunião como essa", afirmou.

Estiveram presentes representantes de sites como Diário do Centro do Mundo, Revista Fórum e blogs como O Cafezinho. Compuseram a mesa, além de Ferreira e Francisco Bosco, o secretário de Políticas Culturais do MinC, Guilherme Varela, e o mediador Julio Bittencourt.

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