JUCA DO CENTRO À PERIFERIA

Propostas para regiões periféricas pautaram encontro com Juca Ferreira

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2013 | 02h09

A polarização entre centro e periferia deu o tom ao primeiro encontro público entre o novo secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, e a classe artística. Intitulada de Existe Diálogo em SP, a reunião atraiu centenas de pessoas ao Centro Cultural São Paulo na noite de terça-feira. Lotou duas salas inteiras e teve transmissão ao vivo pela internet. Segundo o secretário, deve ser apenas o primeiro de uma série de debates públicos. "Não acredito em política pública feita dentro de gabinete. Fazer política exige compreender as demandas da sociedade."

Diversos segmentos e linguagens artísticas estiveram representados no encontro. Personalidades como o arquiteto Ricardo Ohtake, o ator Pascoal da Conceição e o produtor Pena Schmidt, que integra a nova equipe de curadoria da Virada Cultural, estavam presentes. Mas, diferenças à parte, foi uma preocupação com o que acontece fora do eixo cultural tradicional da cidade o que parece ter pontuado boa parte das intervenções.

A retomada da programação dos CEUs - Centros Educacionais Unificados - foi uma das principais reivindicações. Atualmente, os centros são administrados pela Secretaria de Educação. "Temos quase 50 unidades que podem ser instrumento para trabalhar o trânsito com a periferia. Queremos um grande programa, de todas as artes, para ocupar os CEUs e fazer formação de público", defendeu Ney Piacentini, presidente da Cooperativa Paulista de Teatro.

Juca assentiu em recuperar a programação dos CEUs para a pasta da Cultura. Também prometeu a construção de dois novos centros culturais em regiões periféricas. "Queremos levar processos culturais até esses lugares e potencializar os processos que já existem", disse ele.

Ainda assim, o secretário relativizou a oposição com o centro da cidade e disse que pretende investir na região. "Não pode ser isso ou aquilo. O centro está cheio de pessoas que vêm da periferia para trabalhar e que precisam ter opções", observou.

Na mesma linha, falou dos planos para recuperar o cine Belas-Artes e afirmou que pretende levar adiante o restauro de quatro cinemas na área central - proposta que herda da gestão do ex-secretário Carlos Augusto Calil. "Não é como no MinC, que era um deserto. Recebi uma herança de coisas que pretendo manter." Juca também preservou, ao menos por enquanto, boa parte da equipe que já estava na secretaria, como se pôde observar durante o encontro.

A despeito do tom conciliador, o gestor recém-empossado estuda uma reestruturação administrativa da secretaria. "A estrutura de hoje não permite que a secretaria atue de fato na cultura da cidade. Vamos apresentar um projeto de reformulação para o prefeito."

Além desse encontro aberto, o ex-ministro tem recebido setores para conversas em seu gabinete. Já se reuniu, por exemplo, com representantes da área da moda e do cinema. E anunciou que pretende ampliar os incentivos para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Assim como já havia adiantado na entrevista que concedeu ao Estado, Juca cogitou a possibilidade de contratação de uma OS para gerir o Teatro Municipal. Apontou que conta com o menor orçamento dos últimos anos. Mas prometeu mais recursos. "O prefeito está comprometido em ampliar para até 2% do orçamento do município."

Ao longo do evento, apresentou ainda sua agenda de prioridades: incorporar as demandas da cultura na revisão do Plano Diretor. Elaborar um Plano Municipal de Cultura - a exemplo do que fez no MinC. E instalar um novo Conselho Municipal de Cultura.

No encontro, o titular da Cultura mais ouviu do que falou. Escutou queixas sobre a criminalização dos artistas de rua. E incontáveis pedidos. Mulheres, negros e índios se manifestaram por ações afirmativas. Representantes do hip-hop, dos cineclubes e do circo também clamaram por lugar na gestão. "Precisamos continuar a fortalecer o circo", defendeu Bel Toledo, da Cooperativa Paulista de Circo.

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