Juca de Oliveira estréia a polêmica da temporada

O senador Zé Otávio, candidato à sucessão de Lula, resolve assumir um filho ilegítimo. O raciocínio é eleitoreiro: reconhecendo a criança, ele poderá sensibilizar o público. "Lula assumiu a filha e perdeu a eleição. Depois, ganhou porque o brasileiro tem memória curta. O Bush tá no poder por causa daquela palhaçada do Clinton com a Monica Levinsky. O próprio Fernando Henrique teve um filho fora do casamento mas escondeu e o mandou pra Espanha com a mulher senão ele teria perdido a eleição", diz. Zé Otávio é, na verdade, um personagem de ficção, criado e interpretado por Juca de Oliveira na peça A Flor do Meu Bem Querer, que estréia hoje no Teatro Cultura Artística. Nas sessões de pré-estréia para convidados vips, suas frases explosivas têm causado frisson nas platéias, justamente por tratar de temas atuais e nomes conhecidos.Na apresentação de domingo, os vips aplaudiram muito. Ja na semana passada, houve constrangimento - na platéia, estavam membros ilustres do PSDB, como o presidente do partido, José Aníbal, e Wilma Motta, viúva do ex-ministro Sérgio Motta, o melhor amigo de Fernando Henrique. Aplaudidas no domingo, as mesmas frases provocaram um silêncio constrangedor na terça-feira. "O texto deixou todo mundo alvoroçado: no dia seguinte, recebi um monte de e-mails (a maioria apoiando) e, no teatro, chegaram muitas cartas, algumas até fantasiosas demais, contando detalhes mais picantes sobre prováveis aventuras do ex-presidente", conta Juca, que garante não modificar nenhuma linha da peça. "Tudo foi tirado do noticiário de jornais e revistas dos últimos anos, não inventei nada." Escaldado, ele consultou um grupo de advogados antes das primeiras apresentações e nenhum fez restrições. "Também encontrei o o ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, que me garantiu não ter nenhum problema."As pressões, porém, continuam. Depois do espetáculo beneficente, Juca foi procurado pelo representante de uma grande empresa, que garantiu patrocínio para sua próxima peça se ele "aliviasse" algumas falas. Também artistas afinados com o PSDB planejam conversar com Juca, que jura permanecer irredutível, uma vez que é justamente o uso de fatos reais o segredo que o torna autor dos maiores sucessos contemporâneos do teatro nacional.A Flor do Meu Bem Querer, que marca o início dos investimentos da CIE Brasil em montagens nacionais, conta a história do senador Zé Otávio que, assessorado por Chico Lima (Eduardo Galvão), tenta expulsar os colonos Roque (Genésio de Barros), Dos Anjos (Jussara Freire) e Flor (Dominique Brand) de sua fazenda, que será vendida para reforçar o caixa da campanha presidencial. Os problemas começam quando Flor, que é cortejada pelo jovem médico Jacinto (Juan Alba), tem um filho supostamente do senador. Além disso, o político sofre com os escândalos de sua amante, Vanessa (Cláudia Mauro). Marília Pêra faz participação especial apenas com a voz, ouvida em off, quando entram na história a mulher do senador, Veridiana, e a secretária, Tati.A Flor do Meu Bem Querer. De Juca de Oliveira. Direção Naum Alves de Souza. Duração: 1h40. De quinta a sábado, às 21 horas; domingo, às 18 horas. De R$ 40,00 a R$ 70,00 e de R$ 60,00 a R$ 90,00 (sábado). Teatro Cultura Artística. Rua Nestor Pestana, 196, tel. 3258-3616.

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