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Juan Manuel Cañizares se apresenta em São Paulo

Descoberto aos 12 anos por Paco de Lucía, músico se tornou um dos gigantes da atualidade

JOTABÊ MEDEIROS - O Estado de S.Paulo,

11 de setembro de 2012 | 03h10

O violão do catalão Juan Manuel Cañizares está presente em mais de 100 discos de gente como Camarón de la Isla, Enrique Morente, Al di Meola, Peter Gabriel, Peter Erskine, John Paul Jones e Michael Brecker. Manteve durante 10 anos uma parceria com seu mestre, Paco de Lucía. Mas, em sua terceira visita ao Brasil, para tocar hoje, às 21h30, no HSBC Brasil, Cañizares revela um novo desejo: gravar com o violonista gaúcho Yamandú Costa.

"Além de um músico extraordinário, Yamandú é um grande ser humano, gente finíssima", disse o violonista ao Estado, logo após chegar de um passeio por Ipanema e Copacabana, na quinta-feira. Ele faz o show Cuerdas del Alma, há dois anos correndo o mundo. O conceito de parceria, para Cañizares, é muito particular: não se trata de uma fusão, de um emular o outro, mas de um tipo de integração cultural.

"Honestamente, quando me perguntam se conheço a música brasileira, digo que não. Não vivo nesse entorno, sou da Andaluzia. Estive numa festa para músicos na qual ficamos até as 4 h da manhã escutando choro, samba, bossa. Quando vejo tudo isso, vejo que há uma forma de vida, há uma cultura ali, que a música é a superfície de algo muito profundo que não compreendo porque não vivo nessa cultura", afirma.

O flamenco, para Cañizares (solista no famoso Concierto de Aranjuez com a Royal Philharmonic, regida por Simon Rattle), não admite amadorismo. "Aprendi com Paco de Lucía que a música não é algo que se improvisa, que ela deve respeitar as regras da tradição. Muito cedo me dei conta que ser universal é ser local. É por isso que a música de Villa-Lobos, Tom Jobim, Yamandú tem um alcance tão grande. Porque eles são universais sendo locais", diz.

"Um guitarrista flamenco é a única pessoa que é responsável por três coisas ao mesmo tempo: acompanhar um cantor, acompanhar um bailado e fazer o seu concerto solo. Para isso, tem de saber harmonia, tem de ter o domínio rítmico. Só após isso está completo. Se não sabe fazer uma das três coisas, algo lhe falta, e é inconcebível que toque o flamenco."

Aos 46 anos, Juan Manuel Cañizares nasceu em Sabadell, Catalunha, em 1966. Quando tinha 12 anos, já um prodígio do violão, foi levado a Barcelona pelos pais para ser apresentado ao maior mestre de nossa época, Paco de Lucía. "Ele estava se apresentando no Teatro Griego. Tudo foi uma surpresa para mim, porque achei que iam me levar até seu camarim, mas me chamaram ao palco e eu toquei para a plateia dele. Fiquei apavorado, sabia que ali estavam os fãs de Paco, mas foi muito importante para mim", contou.

Aos 16 anos, ganharia o prestigioso Prêmio Nacional de Guitarra da Espanha, A última vez que esteve no Brasil, lembra Cañizares, foi por volta de 1994. Lá se vão 17 anos. Ele lançou este ano o disco Goyescas - Granados pela Sony Music espanhola, mas não está ainda fazendo a turnê desse álbum porque envolve dois violonistas. "Não ensaiei o suficiente e não preparei um concerto como deve ser feito. Tenho grande respeito pelo ato de fazer as coisas benfeitas", afirma.

O concerto de Juan Cañizares em São Paulo inclui a participação do baixista brasileiro Ney Conceição, além do segundo violão de Juan Carlos Gómes e a dança e o cajón de Angel Muñoz. Tangos, rumba, guajira, balada e sapateado estão no programa, além de uma valsa.

Cañizares também leciona o flamenco na Escuela Superior de Música de Cataluña e é considerado um dos maiores conhecedores da obra de Isaac Albéniz - dois dos seus discos foram dedicados a esse repertório. Falando ao diário El País, de Madri, ele comentou sua fama de "violonista cerebral". "Todos somos cerebrais, ainda que a palavra tenha una conotação pejorativa de frieza. Um compositor pensa na forma rítmica de encaixar a letra. A intuição cria e a razão esculpe o gênio. Você tem de pensar as coisas e a vida porque se não nunca adquirem um sentido profundo."

Após 16 anos, ele falou de suas primeiras impressões no retorno: "Vejo que o Brasil é o mesmo, mas é sempre diferente. É um país belíssimo, que recebe bem a gente sempre", elogiou.

JUAN MANUEL CAÑIZARES

HSBC Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, Chácara Santo Antônio. 4003- 1212 .

Hoje, às 21h30. R$ 60/ R$ 300.

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