Como mulher, não era fácil conseguir espaço no universo do punk. Mas você não precisaria se passar por homem para ser escritora, precisaria? Qual foi o seu primeiro impulso para criar o personagem de JT LeRoy?

Entrevista com

18 de março de 2012 | 03h10

Ser um escritor é difícil e ponto. Não importa o seu gênero. Tive que criar o JT porque estava escrevendo sobre coisas tão cruas e dolorosas que só poderiam ser manuseadas com algum tipo de revestimento protetor - é isso o que o JT e o seu mundo significavam para mim. Através dele eu poderia articular coisas que seriam impossíveis para mim mesma.

JT LeRoy é seu personagem mais famoso, mas não o único. Você criou uma série de outras personas. Como isso começou?

Desde criança fui criando personagens, me apoderando de vozes e projetando personas alternativas para o mundo. É a minha forma natural de me adaptar ao ambiente. E isso me trouxe alguns problemas, mas também salvou a minha vida e me libertou como escritora.

Com JT LeRoy você se tornou não apenas um escritor, mas uma celebridade. Estabeleceu vínculos com escritores e com astros da cena pop. Por quê?

Tentei ficar disponível para as pessoas que gostaram da minha escrita. O fato de algumas delas serem celebridades não é nenhuma surpresa. Como todo mundo, escritores, atores e músicos também gostam de ler um bom livro. O resto da atenção da mídia é simplesmente algo que retroalimenta até desaparecer naturalmente. É como quando estive no Brasil, na SP Fashion Week, e os papparazzi fotografavam JT como um louco, mesmo que não soubessem quem ele era. / M.E.M.

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