Joyce: o que é ser feminina

Cantora interpreta no palco as canções de seu álbum mais marcante, recém-relançado

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2010 | 00h00

Feminina, o álbum que deu fama nacional e aumentou a credibilidade de Joyce em 1980, acaba de ser relançado pela gravadora EMI. Esse é o motivo pelo qual a cantora e compositora sobe ao palco do Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3000), hoje e amanhã, para interpretar as canções de seu álbum mais marcante. Antes, o disco só tinha saído em CD na série Dois em Um, mas agora ganho edição superior, em digipack, com encarte completo, incluindo fotos, ficha técnica, letras e um texto da própria Joyce.

A faixa-título tornou-se uma espécie de assinatura dela, mas não foi sua primeira ousadia "feminista", digamos. Em 1968, no álbum de estreia, Joyce já provocava espanto com a letra desafiadora de Me Disseram. Tinha apenas 19 anos e não era comum mulher compositora, muito menos falando de homem naqueles termos.

Com o feminismo em alta, em 1980 o cenário era outro. Havia um boom de boas novas cantoras (reunidas no histórico programa Mulher 80), a série Malu Mulher, e a vida de Joyce dava uma guinada. Pela primeira vez ela teve controle absoluto de seu trabalho, estava voltando a compor depois de um longo tempo ausente para criar as duas filhas. Mas foi bem recompensada. A canção Clareana, feita em homenagem a elas, foi classificada no festival MPB-80, da TV Globo, e Joyce teve sua (merecida) explosão nacional de popularidade. É seu maior êxito até hoje.

Há muito mais de interessante além desta e da faixa-título de Femina. Aldeia de Ogum virou cult nas pistas de Londres. Mistérios, Essa Mulher e Da Cor Brasileira tornaram-se clássicas, também gravadas por Milton Nascimento e Elis Regina, respectivamente. É daqueles álbuns atemporais para se ouvir com prazer do início ao fim. Esse durabilidade se deve ao fato de que o produtor José Milton não "inventou" muito, como Joyce queria. Resultado: "saiu exatamente com a cara da mãe."

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