Joyce e Donato, sem a sutileza dos antigos parceiros

A reunião de grandes talentos nem sempre resulta positiva. Aquarius, segundo disco da cantora Joyce (foto) com o pianista e compositor João Donato (o primeiro é Tudo Bonito, de 2000), não acrescenta muito à carreira de ambos. Os melhores momentos da parceria, aliás, são releituras sem grandes invenções de Amazonas 2 (de Donato com letra de Arnaldo Antunes e Péricles Cavalcanti) e Feminina (de Joyce). O problema de Aquarius está tanto no repertório eclético quanto nos arranjos, que parecem destinados à exportação, em particular para os mercados europeu e japonês - especialmente para o último, que consome com voracidade a bossa nova e a mistura do gênero com ritmos latinos menos sutis. Assim, Aquarius faz um cruzamento híbrido que por vezes parece paródico, caso do tema caribenho de Joyce, Guarulhos Cha Cha Cha. É um equívoco bastante revelador, com letra rudimentar e arranjo ambíguo, quase um comentário sobre a breguice do gênero feito por uma turista em trânsito (o Guarulhos do título é uma referência ao aeroporto de Cumbica). De ritmos caribenhos a um ijexá jazzístico (Xangô É de Baê), o disco tem até partido-alto (No Fundo do Mar). Só não tem mais a antiga sutileza de Donato e Joyce. / ANTONIO GONÇALVES FILHO

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h09

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