Flavia Guerra/ Estadão
Flavia Guerra/ Estadão

Jovens vão a Brasília para conversar com a ministra Marta Suplicy

Projeto Curto-circuito da Juventude discute ideias e necessidades culturais

Flavia Guerra , O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2014 | 16h33

A agenda da ministra da Cultura, Marta Suplicy, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, entre hoje e amanhã tem um compromisso com a juventude brasileira. Os dois participam do Curto-Circuito da Juventude e se reúnem em Brasília com cerca de  70 jovens de diversas  áreas do Brasil para conversar e ouvir o que que o jovem quando o assunto é cultura e  políticas públicas culturais e artísticas. "Temos vários programas do Ministérios para a juventude, que estão indo bem. Atingimos uma parcela dos jovens nas escolas, no empreendedores, mas está faltando algo que lide com a cultura do jovem que está querendo fazer teatro, trabalhar com webmídia e se especializar em designer de games, que quer incentivo para gravar sua música", comenta Marta, que preferiu, antes de desenvolver novas políticas para a juventude, ouvi-la diretamente. "É uma percepção que tivemos após pesquisas. Em vez de começar a fazer programas deste porte para a juventude, é melhor saber o que eles querem. E como chegar neles? Conversando. Não quero ouvir só o jovem organizado.  Para isso chamamos a Ubes, a UNE e ouvimos os que já estão articulados. Mas se fizermos só isso, não chegamos aos meninos do Passinho, do Rolezinho, não conseguimos ouvir os que não estão articulados e que está mais abandonada", continuou a ministra, que propôs esta ideia em novembro, durante a Conferência Nacional de Cultura.

A ministra falou também ao Estado sobre juventude, programas culturais e a união entre cultura e educação.

Quem são os jovens que serão ouvidos entre hoje e amanhã?

São 70 ao todo e há de diversas regiões. Desde os que pertencem a movimentos organizados, os do hip hop, audiovisual, agentes de leitura, do Passinho, de quadrilhas, de terreiros, de comunidades indígenas. Eles são relativamente organizados, menos que outros movimentos, mas já tem uma ideia de a que grupo pertencem. E há também os de movimentos culturais que foram apontados por profissionais que mapeiam o que ocorre em lugares como o Pará, o Amapá.

São jovens de menos de 23 anos e que participaram das dinâmicas propostas. Que dinâmica serão? Debates e conversas?

Sim. E também vamos promover um teatro espontâneo. Vai ser para deixar os jovens se manisfestarem e se colocarem para falar o que eles pensam que é cultura. E o que esperam do governo quando o assunto é cultura. E que participação eles querem neste cenário. E, após escutá-los, conseguir elaborar projetos para a juventude que sejam mais profundos, além dos que já conseguimos por meio de instituições consagradas.  É inovados como o que fizemos nas praças de São Paulo, quando fui prefeita. Fizemos com perueiros, por exemplo, quando escutamos quem estava trabalhando nas ruas. É a ação de escutar quem tem de ser protagonista de fato.

É uma forma de não levar a cultura elitista, mas sim a necessária a tantas comunidades?

Sim. Ontem, por exemplo, fui ao programa da Regina Casé, o Esquenta, e fiquei maravilhada. Tive uma aula de cultura popular. A gente tem que chegar aos rincões deste País. Temos de valorizar o que a população está produzindo, o que é brasileiro. E não ter o nariz arrebitado em relação à cultura que é produzida na periferia. Este é meu olhar. Mas não tinha como chegar nisso. E chamar os jovens foi uma boa ideia.

Pela sua experiência, o que sente que estes jovens da periferia querem?

Querem o protagonismo. Mas nestas horas também me lembro de uma frase do Gilberto  Gil que diz que "o povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe."   Este é um momento que requer muita sensibilidade porque tenho receio de que o que eles querem perpassa a questão da violência. Neste campo, não posso fazer nada. E acho que a violência é consequência da falta de outras atividades mais instigantes, de oportunidades dentro de áreas culturais que lhes poderiam oferecer trabalho. Infelizmente, em relação à violência, tenho poucos instrumentos para atuar. Eu posso atuar no antes. E é por isso que estamos muito dispostos a ouvir e a pensar coisas novas.

A cultura na periferia deveria ser mais pensada como questão de educação, não? E ser parte do currículo escolar brasileiro.

Sim. Os dois ministérios (da Cultura e da Educação) devem sempre  fazer ações junto às escolas. Já há o programas em que escolas recebem recursos para pagar as atividades culturais que desejam, que levam artistas, mestres de cultura, bibliotecas que apresentam projetos para a escola. Percebemos que muitas das famílias que são beneficiadas pelo Bolsa Família. São pessoas que não vão ao teatro, ao museu... São pessoas que têm na TV sua maior fonte de lazer. O acesso à cultura ainda é caro. Como uma família que recebe dois, três salários mínimos consegue levar a família para o teatro, ao cinema e ao museu? Temos de retomar projetos que levem cultura à escola. É imprescindível, pois é na infância que se aprende o que é uma boa leitura, teatro, música. E isso se torna um prazer intrínseco da pessoa. É importante. Vou retomar conversas com o ministro da Educação, José Henrique Paim, para tentar ampliar projetos que unam educação e cultura.

Quais são os programas que o Minc já desenvolve junto à juventude?

Temos vários programas do Ministérios para a juventude, como o Mais Cultura, que é realizado junto com o MEC e atende mais de cinco mil escolas no País, temos o Pronatec, que conseguimos finalmente inserir a cultura no programa, para a formação de profissionais como iluminador, cenógrafo, atividades ligadas às artes. Isso vai ser muito bom porque há muita falta de profissionais desta área. Também fizemos uma parceria com o Sebrae, de R$ 70 milhões, que em dois anos vai investir este valor para a formação da juventude empreendedora, que vai atuar na economia criativa, investir em encubadoras, rodadas de negócios, em toda a cadeia do soft power. 

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