Jovem urbano brasileiro é "multitarefa"

O jovem urbano brasileiro é "multitarefa": faz mais que duas coisas ao mesmo tempo, não consegue prestar atenção a nada por mais que alguns segundos e considera a TV, telefone e rádio objetos essenciais em sua vida, substituindo, em parte, a família. Essa foi a conclusão da pesquisa que o canal de música MTV apresentou hoje ao mercado publicitário. Foram entrevistadas cerca de duas mil pessoas da classe A,B e C, de 12 a 30 anos, de oito cidades de médio e grande porte do País.Os dados apresentados mostram que a nova geração, nascida durante a consolidação do parque industrial brasileiro, lida muito mais confortavelmente com as novas tecnologias que seus pais: 99% dos jovens assistem à TV e usam o telefone regularmente; 98% ouvem rádio com freqüência (mais da metade usa walkman); 80% lêem jornais (embora a grande maioria admita que só lê o que lhe interessa) e uma parcela menor (34%) acessa a Internet, que é vista com um pouco de impaciência por conta da lentidão de acesso.O conforto com a mídia é tanto que estudar enquanto escuta rádio ou ler revistas com a TV ligada é um comportamento absolutamente normal, mesmo que preocupe seus pais. A maior parte dos jovens da pesquisa consideram o aparelho de TV ligado uma companhia quando estão sozinhos.Zapping - A atenção é retida apenas por poucos instantes a ponto do conceito de "zapping" (troca busca de canais de TV ocasionada pelo controle remoto) ser levado a uma nova dimensão: eles "zapeiam" entre pais e amigos, casa e escola, TV e rádio, telefone e Internet, de três maneiras diferentes: sucessivamente, alternando entre meios de comunicação ou prestando atenção em várias fontes de informação ao mesmo tempo. Dois terços dos entrevistados admitiram fazer mais de duas atividades ao mesmo tempo.O espaço familiar tem sido mais desvalorizado em função desse gosto adolescente por informações: 63% dos entrevistados preferem ver TV em seus quartos do que na sala, com os pais, porque querem mais ficar com o controle do que propriamente assistir. Mesmo entre os que assistem na sala, a maioria admite que a negociação com o resto da família sobre o que ver é complicada. A família reunida diante da TV é, definitivamente, um hábito do passado neste universo pesquisado.A propaganda é vista como fonte de informação e o cinema valorizado como um momento de "descanso" do bombardeio de informações a que estão constantemente submetidos. No entanto, os adolescentes (até 20 anos) não se sentem estressados com isso ao contrário da parcela mais velha (até 30 anos), que valoriza seus momentos de ócio.André Mantovani, diretor geral da MTV, disse que a pesquisa indica o que os jovens estão buscando nos meios de comunicação: "Eles buscam um espaço de conversa que não estão encontrando em casa, com a família."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.